Notícias

“Encontros ao Serão” Cuidar Também é Amar


O ciclo “Encontros ao Serão” recebeu, no passado dia 28 de maio, uma sessão marcada pela emoção, pela reflexão e pela partilha de experiências. A convidada foi Rita Joana Maia, autora do livro “A Minha Avó é Pequenina”, que trouxe ao público uma conversa franca sobre o cuidar, os desafios dos cuidadores informais e a forma como a sociedade encara a doença, a perda e o luto.

O dia 28 de maio, foi uma conversa intimista e proveitosa sobre Cuidar, que acolheu, na Marinha Grande, a comunicação e apresentação do livro “ A minha avó é pequenina” de Rita Joana Maia, que de uma forma direta e bem disposta de comunicar, partilhou a sua vivência marcada pela entrega, pela luta pelos direitos dos cuidadores informais e pela resistência perante a ausência de apoio institucional. A sua história é também a de milhares de cuidadores que sustentam, silenciosamente, os pilares do Serviço Nacional de Saúde.

Rita Joana pôs em palavras aquilo que a sociedade tende em evitar falar: o cuidar, a morte, o luto, a saudade e a transformação que a perda trazRita Joana parte da ideia de que vivemos o cuidar e a morte como choque, porque fugimos das conversas sobre perda, mudanças e despedidas, e que, por isso, não sabemos mais como acolher e partilhar a dor, nem honrar a memória do que ou de quem se foi.

Rita Joana, através do seu livro “A minha avó é pequenina” , faz um tributo comovente ao ato de Cuidar, narrado através da história de Adelaidinha — uma menina mulher que nos guia por uma vida de sonhos, desencantos e reconciliações.” Um verdadeiro abraço de ternura”, como descreve Marisa Matias no prefácio, que nos lembra da urgência de dar voz às mulheres que cuidam e que na maioria das vezes permanecem invisíveis.

De forma despudorada e direta, falou das dificuldades burocráticas que todos os cuidadores informais têm de enfrentar para obter o estatuto de cuidador e da necessidade de se lutar e reivindicar por ele, pois sendo ela cuidadora informal há quase três décadas, tem lutado, desde sempre, pelos direitos dos cuidadores e pela resistência perante a ausência de apoios.

Falou ainda dos Apoios existentes: Cuidadores Informais, AMARA e APPSP (Associação Portuguesa Para Promoção da Saúde Pública),porque todos, um dia, seremos Cuidadores ou Cuidados.

 Nesta conversa dirigida a um público adulto, Rita Joana, cuidadora, de fim de vida e autora do livro, convidou-nos a refletir sobre os desafios, emoções e transformações associados ao papel de cuidador informal, numa comunicação empática e frontal, que nos fez repensar sobre cuidado, fragilidade, envelhecimento, afetos, dependência e luto, num espaço de escuta, diálogo e de grande proximidade humana.

Usando as palavras da nossa convidada, “Dignificar o Cuidador Informal é lutar por um papel que nos caberá a todos, sendo que um dia todos seremos Cuidadores ou Cuidados. Falar sobre este tema com gerações mais jovens é colocar-lhes nas mãos a continuidade de uma luta justa, necessária e urgente”.

Inês Silva

Voluntária ATLAS, Marinha Grande

Post a comment