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Conversas de sábado ao almoço que  enchem o coração


No âmbito do projeto “Velhos Amigos”, as visitas de sábado são muito mais do que um simples encontro. São momentos de partilha, de escuta e de descoberta. Entre histórias, memórias e reflexões sobre a vida, surgem pessoas que nos marcam de forma especial. É o caso da beneficiária retratada neste texto, cuja presença transforma uma simples conversa numa verdadeira lição de humanidade.

Sábado é dia de visitar os beneficiários do projeto “Velhos Amigos”. Há sempre grande empenho e entusiasmo em levar um momento de conversa e boa disposição a todos, mas há aqueles que, pelos mais variados motivos, se tornam especiais. É o caso da beneficiária de quem se fala neste texto.

Quando a porta se abre, a entrada ilumina-se. O corpo franzino que sustenta quase 80 anos de vida apresenta dificuldades inerentes ao tempo da sua existência, mas o olhar doce, cor de mel, e jovial fez parar o tempo e não acompanhou o corpo. E o sorriso… o sorriso está lá sempre, mesmo nos dias mais difíceis.

Ao entrar, há a sensação de estar dentro de uma casa de bonecas, onde tudo se encontra no devido lugar: almofadas, flores, objetos, fotografias e tudo o que recorda uma vida inteira.

A conversa surge quase imediatamente e sem avisar. Sem a obrigatoriedade de perguntar pela saúde, pelas dores, pelos medicamentos ou pelas dificuldades, temas habituais nas conversas com gente “crescida”. Não. Os temas estão na vida: na rua, nas famílias, nas escolas, nos conflitos mundiais, na evolução dos tempos, nas histórias de vida que se misturam com as atuais relações humanas. Há uma surpresa incalculável no desenrolar da conversa que, tal como as cerejas, vai encadeando os assuntos.

Quando a disposição ajuda, aprofunda-se o conteúdo: vai-se à essência do ser humano, à perceção do que cada um é com a simples avaliação do seu olhar, do seu semblante, da energia que emana da sua postura. E é tão natural como respirar! Sem mistérios. Sem tabus. Sem julgamentos.

Decorre facilmente uma hora de conversa e é tempo da despedida. Seria bom continuar, ouvir mais, falar mais, trocar mais ideias, mas cada um tem o seu mundo à espera e, depois destes momentos de partilha, o dia fica mais leve e o coração mais cheio.

O nome da nossa beneficiária? Colorido, aromático e doce, tal como ela própria: Orange.

Helena Jesus

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