Coimbra

O verdadeiro ingrediente foi o voluntariado

Por detrás de cada beijinho e de cada cavaca vendidos estiveram dezenas de horas de dedicação, espírito de equipa e vontade de servir a comunidade. Ao longo de quatro dias, voluntários de diferentes idades e localidades uniram-se para manter viva uma das tradições mais emblemáticas da região, demonstrando que o verdadeiro valor desta iniciativa vai muito além da gastronomia.

Durante quatro dias dedicados à venda dos tradicionais beijinhos e cavacas, Ana destacou que a iniciativa contou diariamente com a colaboração de vários voluntários, que asseguraram o funcionamento do espaço desde o final da tarde até à madrugada. Apesar das longas horas de serviço, considerou que todo o esforço foi amplamente recompensado pelo ambiente vivido e pela satisfação de contribuir para a preservação de uma tradição que atravessa gerações. Na sua perspetiva, doar parte do seu tempo à comunidade constituiu uma forma de manter vivo um património que pertence a todos e de transmitir um espírito de solidariedade e partilha.

Conceição, que participou pelo terceiro ano consecutivo, recordou que, antes de integrar este grupo, desconhecia completamente os beijinhos e as cavacas. Referiu que esta experiência lhe proporcionou um enriquecimento pessoal e momentos de verdadeiro convívio, salientando que as cavacas locais, menos doces do que outras variedades conhecidas, conquistavam facilmente quem as provava. Considerou que, mais do que promover um produto tradicional, a iniciativa fortaleceu os laços entre voluntários e visitantes, demonstrando que a dedicação de algumas horas da vida de cada um podia criar momentos de união e de partilha.

Para Gina, estreante nesta experiência, a participação revelou-se profundamente gratificante. Afirmou ter-se sentido realizada por dedicar parte do seu tempo a uma causa que uniu pessoas em torno das tradições e do voluntariado. Entendeu que iniciativas desta natureza demonstraram como pequenos gestos de disponibilidade podiam fazer a diferença e contribuir para uma sociedade mais solidária, onde a entrega voluntária de tempo representava um dos mais nobres atos de generosidade.

Daniela, natural de Pombal e voluntária desde as primeiras edições desta iniciativa, afirmou que regressava todos os anos com o mesmo entusiasmo. Explicou que assumia esta participação como um compromisso para com a comunidade e uma forma de retribuir aquilo que a sua terra lhe proporcionara ao longo da vida. Destacou ainda que um dos aspetos mais marcantes foi a presença de voluntários provenientes de diferentes localidades, como Leiria, Coimbra, Marinha Grande e Batalha, que uniram esforços em torno de um objetivo comum. Na sua opinião, esta diversidade demonstrou que o voluntariado ultrapassou fronteiras geográficas e constituiu um exemplo inspirador de cidadania, entrega e espírito de partilha, valores que considerou fundamentais para continuar a transmitir à sociedade e às novas gerações.

Américo Oliveira

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Velhos Amigos

Quando queremos falar sobre o projeto Velhos Amigos vêm muitas ideias à nossa cabeça.

Começou em Coimbra, em 2009, com 2 equipas (4 idosos) e foi crescendo devagar, com muitas oscilações. Hoje, em Coimbra, tem 15 equipas e mobiliza muitos voluntários. Só é possível com a ajuda destas pessoas (voluntários) que saem de suas casas ou dos seus trabalhos para partilharem um pouco de tempo, com o outro. Só é possível, também, porque há restaurantes que, mesmo em tempos difíceis, doam generosamente uma ou mais refeições.

O projeto Velhos Amigos iniciou em Coimbra. Hoje o projeto abrange igualmente as cidades de Leiria, Pombal e Marinha Grande.

Não se esgota no levar a refeição!

Há o acompanhar às consultas, o fazer compras, o ajudar em pequenos consertos e até a passear o cão. Há o lembrar-se do aniversário, o levar um miminho, o telefonar a meio da semana. Há a certeza que o idoso tem alguém que vai atender o telefone quando for preciso.

O projeto Velhos Amigos leva refeições aos beneficiários e não só, é uma ação essencial no combate à solidão de vários idosos.

Este projeto não é essencial, mas…

Se o Projeto Velhos Amigos não existisse, a solidão seria mais triste e mais amarga para muitos idosos que vivem sós.

Já é clássico dizer-se que fazer voluntariado traz muita satisfação pessoal, que é mais gratificante para o voluntário do que para a pessoa que visitamos, e outras coisas parecidas. Mas é difícil descrever a alegria que se sente quando vemos, no outro, um sorriso nos lábios ou um olhar brilhante assim que entramos na sua casa. E não será a relação o mais importante da vida? E não será o serviço e o fazer feliz o outro que darão sentido à vida?

Estou grata por ser voluntária da Atlas desde o início. Estou grata por pertencer a esta família.

Agora, com mais responsabilidade na gestão da Atlas, quero ter a sabedoria de ser capaz de mobilizar mais pessoas para fazerem com que o voluntariado faça parte das suas vidas.

Bem hajam a todos!


Autor: Raquel Pina

Vice-Presidente da ATLAS – People Like Us, voluntária do Projeto Velhos Amigos desde 2009 e um apoio fundamental na coordenação do projeto em Coimbra. Na ATLAS tanto a conseguimos encontrar a organizar as faturas como a cozinhar para os Velhos Amigos, incansável!

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