Velhos Amigos

Um vídeo para celebrar o voluntariado.

No mês de Junho, voluntários e voluntárias estiveram em gravações para dois vídeos da ATLAS. Dois vídeos que têm como objetivo divulgar e promover o trabalho da organizaçao junto de parceiros, investidores sociais e de possíveis corações, que se queiram voluntariar.

O primeiro vídeo está pronto para partilhar!

Serão dois vídeos: um geral sobre a ATLAS , que pretende apelar ao voluntariado e um outro específico sobre o Projeto Velhos Amigos. O primeiro está pronto e revela-nos alguns rostos bem conhecidos da ATLAS. São só alguns, infelizmente o tempo do vídeo não nos permite que apareçam todos e todas.

Antes de irmos ao que interessa, o vídeo, dizer-vos que o próximo, sobre o projeto velhos amigos, deverá ficar pronto no mês de Setembro e por isso partilharemos na Newsletter do próximo mês.

Relembramos que os vídeos foram financiados pela Fidelidade Comunidade, na sequência de um prémio ganho em 2019. Mais informações sobre o prémio aqui.

Esperamos que gostem do resultado!

Agradecemos a vossa disponibilidade e entrega, sempre!


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Saudades das festas populares e do nosso Arraial Atlas!

Passou o São João e o São Pedro e faltou o nosso Arraial Atlas, cada ano mais aprimorado! O porco a assar no espeto, as sardinhas, a paelha, as sandes de leitão, o café da avó, os bolos, e ainda os arcos, as flores e as luzes que enfeitam os socalcos… O branco e o vermelho pontilham o jardim, são dezenas de voluntários juntos, cada um dando o seu melhor! 


É um ponto alto do trabalho voluntário, do convívio, da alegria do reencontro, de receber quem se estreia na Atlas.

Neste verão sinto falta dos Arraiais, das Festas Populares… As festas polvilham de cor um fim de semana por cada aldeia, quando alguma da gente que lá cresceu se junta para honrar o Santo Padroeiro e, assim, ter pretexto para estar em festa o dia inteiro! Cozinham-se petiscos do melhor, põe-se a tocar música que toda a gente canta e dança (nem que seja só “nessa noite de verão”) e o espírito rejuvenesce! A energia dos dias grandes e a brisa refrescante das noites de verão trazem o povo para a rua, “só mais dois dedos de conversa” e, quem sabe, um pezinho no bailarico.

Arraial Solidário 2019 da ATLAS People Like Us, Barreira (Leiria)

Nas festas populares perpetuam-se tradições e, assim, estamos em sintonia com as gerações que desbravaram antes de nós. As Festas dos Santos, por exemplo, são celebrações católicas que dão continuidade aos festejos pagãos do solstício de verão. Os festejos assinalavam o dia com mais horas de luz solar, tão importante para o amadurecimento dos frutos e cereais, celebrando a fertilidade da Terra, pois as colheitas surgiriam em breve. Estes rituais de fertilidade chegam aos nossos dias simbolicamente representados no manjerico, planta que os namorados oferecem, um ao outro, com versos de amor. [1]

Se neste verão ainda não podemos viver as Festas com toda a sua expressão, então, que façamos algo que nos mantenha ligados à tradição, cada um ao seu jeito (comprar um manjerico; confecionar o típico bolo em ferradura; escrever quadras aos Santos; cantar música de Arraial; etc.) As tradições mantêm-se pela ação de cada um de nós e são história de um povo que uma geração conta à seguinte.

Ó meu rico São João,
Temos saudades do Arraial

Enche-nos de esperança o coração,
E que no próximo ano haja um sem igual!


[1] https://www.visitportugal.com/pt-pt/no;


Autora
Sofia Carruço
Psicóloga e Voluntária na Atlas – People Like Us, em Leiria

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Atribua, sem custos, 0,5% do seu IRS à ATLAS

e ajude-nos a apoiar idosos em situação de isolamento

​Sabia que ao preencher a sua declaração de IRS pode doar 0,5% do seu imposto a uma organização social, sem receber menos e sem pagar mais?

Basta uma cruz no quadro 3 do campo 11, quando estiver a preencher o seu IRS e colocar o nosso NIF – 508 425 913, como aparece no esquema abaixo.

Dúvidas e Respostas

posso escolher o destino da minha consignação?

A lei portuguesa permite que todos os contribuintes possam doar 0,5% do seu IRS já liquidado a Instituições Particulares de Solidariedade Social ou Pessoas Colectivas de Utilidade Pública, entre as quais a ATLAS – People Like Us.


porque devo escolher a ATLAS – People Like Us?

Porque ao apoiar a missão da ATLAS – People Like Us, está a contribuir para a que consigamos fazer crescer o Projeto Velhos Amigos e apoiar mais idosos em situação de isolamento e carência económica.


atribuir 0,5% do meu IRS à ATLAS tem custos?

Consignar 0,5% do seu IRS à ATLAS – People Like Us não tem qualquer custo para si. Ao fazê-lo, está a canalizar parte dos seus impostos (que de outra forma ficariam para o Estado) para a instituição.


quando posso preencher o meu IRS e fazer a consignação de 0,5% do meu IRS à ATLAS?

Em 2021, o prazo de entrega da declaração de rendimentos decorre entre: 1 de Abril a 30 de Junho, independentemente do tipo de rendimentos recebidos.


Obrigada por apoiar a nossa missão!

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Velhos Amigos na Inauguração da Startup de Inovação Social de Leiria

A inauguração aconteceu no dia 28 de junho, e contou com a presença da ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social – Ana Mendes Godinho.


Desde 2019 a ATLAS tem participado ativamente nas atividades da incubadora IDDNET. Ainda em 2019 marcámos presença no 1º Bootcamp em Empreendedorismo Social, realizado em Leiria. Este Bootcamp, promovido pela IDDNET, contou com a organização do IES – Social Business School e com o investimento social do IPLeiria.

Em 2020 a incubadora IDDNET anunciou a fusão com a aceleradora StartUp Leiria. As duas entidades são agora uma só com a designação de StartUp Leiria.

Pode ser uma imagem de 4 pessoas e pessoas sorrindo
Certificados de 1º Prémio do Bootcamp em Empreendedorismo Social, promovido pela IDDNET – Startup Leiria

Atualmente a ATLAS recebe apoio da Startup Leiria no desenvolvimento de um projeto de inovação social que pretende vir a integrar idosos artesãos na comunidade através de um trabalho colaborativo com jovens designers.

A colaboração com a Startup Leiria tem permitido reforçar as competências da equipa técnica no âmbito da inovação social, desenvolvimento de planos de negócio assim como medição de impacto social. Ainda em 2019 a incubadora fez a revisão da candidatura do Projetos Velhos Amigos ao financiamento Parcerias para o Impacto, promovido pelo Portugal Inovação Social. Com candidatura ganha e já em execução, no dia 28 tivemos a oportunidade de apresentar o projeto.

Apresentação do Projeto Velhos Amigos, dinamizado pela ATLAS People Like Us na Inauguração Startup de Inovação Social de Leiria.


“Temos de ter uma nova inspiração para diferentes respostas sociais que não deixem ninguém para trás, desprotegido ou fora da comunidade. Precisamos de cérebros dedicados à inovação social”, afirmou a ministra Ana Mendes Godinho.


O projeto Velhos Amigos permite o acompanhamento de idosos em situação de isolamento social e carência económica. Alinhado com as necessidades sociais assim como com as políticas nacionais o projeto promove a cidadania ativa e a responsabilidade social. Com a aprovação da candidatura (Parcerias para o Impacto), em 2020, é mantida a génese do projeto Velhos Amigos com a mobilização da sociedade Civil e a entrega de refeições e é permitida uma acrescida monitorização e acompanhamento do bem-estar e qualidade de vida dos idosos apoiados dos municípios de Pombal, Leiria, Marinha Grande e Batalha.

Beneficiária de Pombal em contacto com uma voluntária da ATLAS – People Like Us

Saber mais sobre o projeto.

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Autoestima e adultez avançada

Envelhecimento é um processo que dura toda a vida e não uma fase ou uma etapa.

O autoconceito é a perceção que o individuo tem de si. É o que cada um pensa e conhece de si.

O envelhecimento como a autoestima são conceitos que fazem parte do processo desenvolvimental. Não existe uma autoestima para a fase da adultez avançada existe só autoestima e existem adultos.

Começando por esclarecer a noção de autoconceito.

O autoconceitopode ser definido como o conjunto de pensamentos e sentimentos que se referem ao self enquanto objeto. Não é necessariamente uma visão “objetiva” do que somos, mas antes um reflexo de nós próprios tal como nos percecionamos. O autoconceito está associado à noção de autoestima. Autoestima é o grau com que o sujeito gosta de ser como é. “A autoestima corresponde aos aspetos avaliativos e emocionais do indivíduo” (Fachada, 2006, p. 123). Então estes dois conceitos, autoestima e autoconceitos, ou seja, o quanto gosto de mim e o que perceciono que sou, revelam-se fundamentais para a definição do nosso comportamento. Então, adultos com elevada autoestima são sociáveis e populares com os outros, confiam mais nas suas próprias opiniões e julgamentos e estão mais seguras das perceções de si próprios. Quando avaliados a nível psicológico são pessoas mais saudáveis e mais adaptadas e sofrem menos de stress quando confrontados com situações de ansiedade, perda, etc. Contrariamente pessoas com baixa autoestima são pessoas infelizes e vêem-se como fracassadas. Abandonam facilmente os desafios, são pessoas ansiosas e com forte sentimento de culpa e são consideradas por si mesmas como incompetentes.

Este processo de definição do que sou e do quanto gosto de mim, processo de aprendizagem, ocorro ao longo da vida e é fortemente influenciado pela forma como significamos os acontecimentos da vida, existindo uma relação entre aprendizagem e comportamento.

Psicoterapia na terceira idade – Psicóloga Bilaine Lima
Autoestima e adultez. “Então estes dois conceitos, autoestima e autoconceitos, ou seja, o quanto gosto de mim e o que perceciono que sou, revelam-se fundamentais para a definição do nosso comportamento.”

O cérebro humano é, um órgão altamente especializado para a adaptabilidade e a resiliência que se molda e se constrói para capacitar a pessoa. É a partir da interação e da interdependência, que o cérebro constrói as suas estruturas para se adaptar aos contextos com que se vai deparando, e para ganhar habilidade para se adaptar a esses contextos, numa permanente alternância entre sentimentos de ressentimento e de recompensa, onde a reparação intersubjetiva tem um papel mediador. Mas para que este movimento reparar se perpetue é necessário que seja alimentado por novas relações intersubjetivas de boa qualidade. A interação e a interdependência que cada cérebro tem com os outros cérebros, bem como, a sua plasticidade que se prolonga ao longo de toda a vida, são a fonte de regulação neurobiológica do crescimento psíquico e da saúde mental (VASCONCELOS, 2017). Esta ideia sobre o cérebro social e de como este se desenvolve esclarece alguns aspetos do desenvolvimento psicossocial na vida Adulta avançada. Falamos da família, dos amigos e dos projetos que queremos desenvolver nesta fase. Assim, podemos ter novos amigos ou mesmo acrescentar novas pessoas ao nosso ciclo familiar.

Os estereótipos levam-nos a acreditar que a adultez avançada é um tempo de solidão e isolamento: as pessoas na idade da reforma são pessoas mais isoladas. No entanto os estudos desenvolvidos nesta área falam que 9 em cada 10 adultos atribuem maior importância à família e aos amigos para desfrutarem uma vida repleta de significado e motivação, ou seja, nesta fase mantêm níveis de apoio social, identificando os membros do seu círculo social que podem ajudá-los e, afastam-se daqueles que não lhe dão apoio.

É importante referir que nesta fase do desenvolvimento as pessoas tornam-se mais seletivas. 

Escolhem estar com as pessoas e nas atividades que respondem às suas necessidades emocionais imediatas. Tendem a ter o mesmo relacionamento íntimo que nas fases anteriores do desenvolvimento e a sentir o mesmo grau de satisfação, ou seja, necessitam na mesma dos amigos e afastam-se das pessoas que os aborrecem.

Os seus sentimentos pelos amigos são tão fortes quanto os dos jovens adultos e os sentimentos positivos em relação à família são mais fortes (Papalia, 2013). Assim, os que têm mais amigos nesta fase do desenvolvimento são mais saudáveis e felizes. Nesta fase, os adultos mantêm os seus confidentes. Falam com eles dos seus sentimentos, dos seus pensamentos e estes relacionamentos tendem a melhorar com as mudanças e as crises de envelhecimento. Os amigos de longa data podem perdurar, até idades mais avançadas, mas as pessoas na idade avançada fazem novos amigos e revelam-se amigos com afeição e lealdade (Papalia, 2013).

Em síntese esta é uma fase da vida em que os adultos sentem necessidade dos seus amigos e devem ser estimulados a estar com pessoas com quem podem comparar-se e que servem de apoio, desenvolvendo de forma correta o seu autoconceito e a sua autoestima.

Partilha de referências:

  • Fachada, O. (2006) Psicologia das Relações Interpessoais. Editora Rumo.
  • Papalia, D. (2013). Desenvolvimento Humano, 12ª ed. Artmed.
  • Vasconcelos, A. (2017.) O Cérebro Social: Compreendendo o Cérebro como um Órgão Social. Interações: Sociedade e as novas modernidades. 32 (6) 34-52.

Autora
Mª João Santos
Mestre em Psicologia Clínica e Doutorada em Psicopedagogia da criança pela Universidade do Minho. Atualmente docente no IPLeiria.

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Quando o “Não” é para banir

Por incrível que pareça aos oitenta e quatro anos fui convidada para fazer parte de um projeto que me era totalmente desconhecido e em tudo diferente daquilo a que estava habituada. 

Aceitei porque quase bani do meu vocabulário a palavra «não».

Acho-a uma palavra demasiado forte e só a uso em situações extremas. Prefiro substituí-la por um sorriso.

Devo dizer que não fazia ideia do que me esperava. Aceitei e gostei. Foi aí, nesse projeto, que tive verdadeira consciência de que é: no dar que se recebe e que se recebe sempre mais do que aquilo que se dá. 

Eu saía para ir fazer companhia a quem estava só, mas verdade é que eu também beneficiava dessa companhia. Entretanto surgiu a pandemia, diminuíram as visitas, foram aparecendo elementos novos e cessei as minhas atividades.

De qualquer modo continuo na retaguarda pronta para o que seja preciso dentro das minhas possibilidades e capacidades.

Conheci pessoas maravilhosas, além das que já conhecia, tanto utentes como cuidadoras, que muito admiro e que vieram aumentar o meu grupo de amigos.

Recordo aqui alguns encontros que ficaram para sempre na memória. Bem-haja a todas e a todos. Um abraço de profundo reconhecimento. Convosco fiquei mais rica. 


Autora
Maria Fernanda Alegre
Voluntária do Projeto Velhos Amigos, nasceu a 6 de julho de 1933, no concelho de Condeixa a Nova. Fez o curso no magistério primário. Depois de se reformar, tem-se dedicado ao voluntariado.

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Envelhecimento e Proteção Social

O envelhecimento é um processo complexo que ocorre ao longo de toda a vida, que envolve aspectos de vária ordem, como demográficos, económicos, sociais e familiares e que, tendo em conta a forma de envelhecer, não pode ser visto, apenas, no âmbito biológico.

No conceito de envelhecimento, deve considerar-se a idade cronológica, a jurídica (relacionada com direitos e deveres da sociedade), a psicoafectiva (relacionada com a personalidade e emoções), a social, e a biológica e física (ligadas ao ritmo de envelhecimento individual). Cada idoso é um ser único que envelhece ao seu ritmo, sendo este processo heterogéneo. Este processo e ritmo variam com base, por exemplo, no estilo de vida, alimentação, escolaridade, profissão exercida, etc. O idoso tem mais vivências, anos de vida, doenças, perdas, tempo disponível e sofre de preconceito! Assim, este processo de envelhecimento não deve ser considerado uma tragédia individual e, muito menos, colectiva, pelo facto de o idoso ter perdido o seu papel produtivo na sociedade!

Consequentemente, os idosos, dada a sua vulnerabilidade, estão mais sujeitos à discriminação social, levando a que, por vezes, se encontrem abandonados, em perigo, alvo de violência e falta de respeito pelos seus direitos!

Para que tal seja minimizado, foi necessário a adoção e criação de modelos de intervenção a nível familiar, social e de cuidados de saúde, devidamente enquadrados  juridicamente, para garantir o “envelhecer” com dignidade, segurança e respeito pela vida do idoso, modelos estes que se devem adequar à natural e “moderna” evolução do próprio envelhecimento, priorizando, sempre, os direitos individuais e o respeito pela pessoa idosa! Criaram-se, assim, Comissões de Proteção de Idosos, creio serem, em Portugal,19! Estas Comissões pretendem garantir o que referi atrás, mas, caso esses direitos estejam, ou sejam, ameaçados, e não respeitados, o recurso ao Ministério Público, permite-lhe, por legitimidade, agir!

Envelhecer com dignidade e direitos

Dado haver, socialmente, défice generalizado de conhecimento do universo jurídico, acentuado nos idosos, acompanhado, na maioria dos casos, de carência económica, dependência física e psicológica, é necessário que todos nós estejamos atentos e defendamos os direitos da pessoa idosa, fazendo-os respeitar, exigindo à sociedade que, igualmente, os respeitem, recorrendo, se necessário for, à via judicial, pois, nem sempre a pessoa idosa, devido a tudo o que foi sendo referido, se consegue defender! Esta atenção deverá ser redobrada, uma vez que, de acordo com o último Censo, a estrutura etária da população Portuguesa evidencia, na respectiva pirâmide etária, um acentuado aumento da população idosa que assenta na diminuição da Natalidade e aumento da Esperança Média de Vida! Prevê-se que, segundo as projeções do INE, até 2060 o Índice de Envelhecimento aumente até aos 307 idosos por cada 100 jovens!

As instituições como a Atlas, deverão ter um papel importante de proteção social na defesa e denúncia destes direitos, devendo estar, particularmente, atentas ao direito a condições dignas de habitação e respectiva  acessibilidade, aos cuidados de saúde, bem estar e segurança de todos os casos que conheça, e, em particular, aos dos seus Beneficiários, pugnando pela efectivação de todos esses seus  direitos!  Assim o temos feito na Atlas e, dada a nossa persistência, temos sido bem sucedidos!


Autora
Isabel Guimarães
Voluntária, Coordenadora do Projeto Velhos Amigos em Leiria

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Do Assistencialismo à Solidariedade

O meu nome é Hélia Carla Amado Rodrigues, nos últimos anos trabalhei nas áreas do acolhimento residencial de crianças e jovens em perigo e formação/ensino. Invisto de forma continua na minha capacidade de ser útil nos valores de – cooperação e solidariedade de reciprocidade – com o objetivo de me acrescentar na elasticidade/plasticidade cerebral nas diferentes dinâmicas sociais, sobretudo fora da minha zona de conforto. Procuro sair da minha moldura/caixa dos afazeres diários, contribuindo assim para o crescente da minha criatividade de soluções, onde possa ser significativa nas pequenas ações que espero terem impacto nos seus usuários/recetores. Escolhi doar tempo e solidarizar-me com a Atlas no seu projeto – Velhos Amigos.


Assistencialismo vs Solidariedade

Proponho neste parágrafo a reflexão breve entre – assistencialismo vs solidariedade, numa linha da distinção para a sua união, ou seja o assistencialismo com uma vertente moral caritativa da dádiva aos desvalidos (tratar dos pobrezinhos) para uma visão assente nos prismas da solidariedade de reciprocidade[1], a responsabilidade da ação voluntária com paridade de decisão, entre o dador e o recetor, desemboca na solidariedade.

Sendo assim, um voluntariado substantivo da condição humana nas diferentes dimensões inerentes[2], e, recusar a ação de voluntariado numa base no sentido único da dádiva do assistencialismo com uma dependência das políticas do estado ou do excedente da economia de mercado, emancipá-la para – aquela que promove e que não assiste só -, torna-la num contributo para as tomadas de decisões políticas com base no conhecimento da prática do fazer e do estar, para uma ação assertiva do e com o SER.

Importa sentir que não basta só dar mas envolver os recetores nas decisões, tornando-os assim os decisores com projeções para o e com futuro – agentes ativos da própria mudança.

45 frases de solidariedade que vão te ajudar a praticar esse ato

[1] Conceito de reciprocidade: dar sem esperar receber em troca; receber sem sentir a obrigação de dar em troca; e, trocar bens e serviços sem importância mercantil / lucro.

[2] Como a: social, sistémica, política, económica, ambiental, territorial, cultural, cognitiva, ética, entre outras


Autora
Helia Carla Amado
Educadora Social e voluntária do Projeto Velhos Amigos na Marinha Grande

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Não há reforma para o afeto, o amor e o sexo.

No passado dia 16 de fevereiro de 2021 recebemos a Professora Doutora Margarida Pedroso Lima para mais um Encontro ao Serão da ATLAS – People Like Us. O tema do Encontro foi “Sexualidade depois dos 50”. Deixamos aqui algumas notas para quem não teve oportunidade de estar presente.


De acordo com Vilar (2003), até época recente, o modelo social dominante de valores e atitudes sobre a sexualidade era o “Modelo Reprodutivo”, o qual legitimava a vida sexual somente às funções reprodutivas, as quais só eram aceitáveis no contexto matrimonial. Os comportamentos sexuais não reprodutivos não eram moralmente aceitáveis e respeitados. E, porque as pessoas idosas já não estavam em idade reprodutiva (mesmo que os homens fossem férteis ao longo de toda a vida), a sexualidade, e especialmente a sexualidade feminina, era ignorada, escondida ou desrespeitada (Pereira 2010; Sanchez and Ulátia, 1998; Steinke, 1997).

O avanço do estudo da sexualidade humana, os debates públicos e os movimentos sociais em torno da sexualidade e dos direitos sexuais fizeram com que esta forma de entender a sexualidade fosse substituída por um novo modelo – um modelo recreativo e permissivo (Giddens, 1996; Cabral e Ferreira, 2010) e, neste novo contexto social e cultural, a vida sexual das pessoas idosas tem sido mais aceite e reconhecida.

No entanto, e apesar destas mudanças nas normas sociais e nas atitudes sobre a sexualidade, o modelo tradicional tem ainda muito peso entre as pessoas de idade avançada.

O Idadismo é um preditor negativo da sexualidade na velhice

Se aos 40 acharmos que a sexualidade vai decrescer com a idade é possível que aos 70 ou aos 80 não se tenha uma sexualidade ativa. Funciona como uma profecia que se auto cumpre em que quanto mais forte é a nossa crença maior a probabilidade de sofrermos com ela.

As nossas crenças enquanto comunidade levam a que adultos mais velhos encontrem dificuldades na expressão da sua sexualidade. As crenças podem limitar-nos e por isso é importante serem criados espaços de informação, desmistificação dos mitos e apresentação dos factos.

O que muda afinal com a idade?

O pico da maior parte das funções biológicas relacionadas com a idade ocorre antes dos 30 anos e declinam gradual e linearmente ao longo da vida. O declínio pode ser crítico sob condições de stress, mas normalmente tem pouco ou nenhum efeito sobre as atividades diárias. Portanto, as doenças, mais do que o envelhecimento normal, são a causa primária das perdas funcionais durante o envelhecimento.

Em muitos casos, o declínio relacionado com a idade pode ser decorrente do estilo de vida, comportamento, alimentação e meio ambiente, e, portanto, pode ser modificado. Importa referir que nem todas as funções estão em declínio e, sabesse hoje, que no que toca à capacidade de gestão emocional, existem melhorias significativas com a idade.

Os idosos relatam melhor bem-estar emocional do que os mais jovens – mesmo durante uma pandemia que os coloca em maior risco do que a qualquer outra faixa etária. Artigo original em Inglês: https://news.stanford.edu/2020/10/27/despite-covid-19-risks-older-people-experience-higher-emotional-well-younger-adults/

Os investigadores justificam esta melhoria por existir uma maior consciência da mortalidade e percepção da fragilidade da vida, o que leva as pessoas com idade avançada a viver o presente com mais intensidade, valorizando todos os momentos. A experiência de vida leva também a que exista um aumento da capacidade de antecipar e adaptar respostas emocionais. Diminui a frequência e a intensidade de emoções como a raiva e consegue-se encontrar um equilibrio emocional.

Isso significa que o sexo não muda?

Sim e não. Sabemos que tudo muda ao longo do nosso ciclo de vida, somos seres sexuais desde o momento em que nascemos mas a forma de vivenciar a sexualidade aos 5 anos é diferente aos 20, aos 40 e será certamente diferente aos 60, 80 anos. Do nascimento até à morte somos seres sexuais e passamos por vários processos adaptativos.

A vida sexual transforma-se constantemente ao longo de toda a evolução individual, porém só desaparece com a morte. (Myra e López, in Sexualidade Humana, 1993)

Um dos grandes problemas em questões de sexualidade é que a mesma é equacionada com a capacidade/frequência de relações sexuais, mas a sexualidade vai muito para além do coito. Somos seres complexos e expressamos a nossa sexualidade de múltiplas formas, desde a nossa identidade, a imagem que apresentamos, aos erotismos, a sedução, as carícias. É hoje cientificamente consensual que a atividade sexual e a satisfação com a mesma são benéficas para o bem-estar psicológico e físico em adultos em idade avançada, reduzindo o stress físico e mental decorrente de doenças associadas ao envelhecimento (DeLamater, 2012; Traeen B, 2017).

Se queremos ter uma sexualidade ativa aos 60, 80…. Há que praticar! A nossa função sexual está muito relacionada com a nossa saúde física. Hábitos de vida saudáveis levam a uma sexualidade positiva mais anos.

Ninth Circuit Blog: Case o' The Week: Use it Or Lose It (Then Win It) -  Yepiz, Jury Selection, and Rule 24
Use It or Lose It, em português “Usa-o ou Perde-o”.

Referências

DeLamater, J. (2012). Sexual expression in later life: A review and synthesis. Journal of Sex Research, 49, 125-141.

Giddens, A.(1996) As transformações da Intimidade. Sexualidade, amor e erotismo nas sociedades modernas, Oeiras, Celta

Pereira, A.R. (2010) A Sexualidade na terceira idade: perspectiva do idoso institucionalizado, Dissertação de Mestrado disponível na Mediateca da Universidade Lusíada de Lisboa

Sanchez, F., Ulátia, J. ((1998) Sexualidade en la Vejez, Madrid, Pirâmide

Steinke, e. (1997) Sexuality in Aging: implications for mursing facility satjj, The jornal of Continuing Education in nursing, 39-6.

Traeen, B. (2017). Sexuality in Older Adults (65+)—An Overview of The Recent Literature, Part 2: Body Image and Sexual Satisfaction.International Journal of Sexual Health, 29:1, 11-21.

Vilar, D. (2003) Falar Disso, Porto, Afrontamento

Villaverde Cabral, M., Ferreira, P. (org) (2010) ) Sexualidades em Portugal, Lisboa, Bizancio

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Dia Nacional do Doente Coronário

O Dia do Doente Coronário celebra-se todos os anos a 14 de fevereiro. A data foi institucionalizada pela Fundação Portuguesa de Cardiologia e comemora-se por todo o espaço da Comunidade Europeia. As doenças crónicas incluem doenças como a diabetes, cancro ou asma. Abordamos, de seguida, a sintomatologia associada.

Doença Coronária

A doença crónica é uma doença não transmssível, que se prolonga ao longo da vida, não se resolve espontaneamente e não tem cura (Center for Managing Chronic Disease (CMCD, 2015)).

“as doenças cronicas (…) são, de longe, a principal causa de mortalidade no mundo, representando 60% de todas as mortes. Dos 35 milhões de pessoas que morreram de doença crónica em 2005, metade tinha menos de 70 e eram mulheres”.
Organização Mundial de Saúde (2005)

Barros (2003) afirma que cada doença crónica é unica, pois enquanto umas podem acompanhar o sujeito durante toda a vida sem redução de sintomas, outras podem possuir prognósticos a curto ou médio prazo; umas podem implicar alterações pouco significativas na vida do doente, enquanto outras podem alterar significativamente a sua vida e levar a imensas restrições e à adsão a terapêuticas muito severas.

Para uma patologia ser considerada uma doença crónica, tem que mostrar uma ou mais das seguintes caracteristicas: provocar incapacidade, ser causada por alterações patológicas irreversíveis, necessitar de supervisão por longos períodos de tempo (OMS, 2005). Esta pode começar por uma condição aguda, normalmente insignificante, prolongando-se através de vários episódios de agarmento e remissão (Martins, França & Kimura, 1996). Manifestam-se através da interação de factores genéticos e factores ambientais externos (Hui, 2015).

Doença crónica nos idosos

Os idosos são a população mais afetada pelas doenças crónicas. A incidência de doenças como a hipertensão artial, o cancro, a diabetes e patologias cardiovascular aumenta com a idade. Para além destas doenças, a diabetes a depressão e a osteoartose, são algumas das doenças mais prevalentes entre os idosos. Esse aumento deve-se à interação entre factores genéticos predisponentes, factores fisiológicos de envelhecimento e factores de risco modificáveis como tabagismo, ingestão alcoólica excessiva, sedentarismo, consumo de alimentos não saudáveis e obesidade (Wong & Wong, 2005).

O lugar comum na luta pelo controle das doenças crônicas é a prevenção, primária ou secundária. Quando as condições crônicas são mal gerenciadas, os encargos de saúde tornam-se excessivos. Os profissionais de saúde têm como missão motivar a população a manter hábitos de vida mais saudáveis, além da manutenção e seguimento médico regular a fim da realização de diagnóstico precoce, caso essas condições se manifestem. 

O objetivo destes cuidados é não só aumentar o tempo de vida como a sua qualidade. O maior desejo é manter independência e  autonomia de cada indivíduo pelo maior tempo possível (Martins, França & Kimura, 1996). Nos cuidados específicos ao paciente idoso, com todas as suas caracteristicas e presença frequente de várias doenças associadas, torna-se, ainda mais importante a educação em saúde e uma abordagem holística. É importante que o idoso tenha informações sobre as doenças existentes, prevenção e tratamento, para que possa realmente sentir o quanto pode fazer por si mesmo. Os profissionais de saúde também devem contemplar o todo, o ser bio-psico-social (Barros, 2004).

Os tratamentos propostos, devem ser adequados a cada indivíduo. Para uma atenção global ao idoso, deve-se ter cada vez mais a certeza de que há grande benefício na atuação de equipas multidisciplinares, em todas as etapas do processo saúde-doença, seja na prevenção e compensação de doenças crónicas ou reabilitação.

Manter um estilo de ida saudável é uma forma de prevenir as doenças coronárias. 14 de fevereiro – Dia Nacional do Doente Coronário

Referências

Barros, B., Souza, C. & Kirsztajn, G. (2004). Qualidade de vida de pacientes portadores de glomerulopatias. In Pais-Ribeiro, J. & Leal, I. (Editores). 5º Congresso Nacional Psicologia da Saúde – A Psicologia da saúde num mundo em mudança. ISPA Edições. Lisboa.

Center for Managing Chronic Disease (CMCD). (2015). American adults more likely than europeans to be diagnosed with, treated for chronic diseases. Acedida a 2 de Fevereiro 2021 em http://www.medicalnewstoday.com/releases/83960.php

Hui, L. (2015). Aging and chronic disease as independent causative factors for death and a programmed onset for chronic Disease. Archives of Gerontology and Geriatrics, 60, 178–182.

Martins, L. M., França, A. P. D. & Kimura, M. (1996). Qualidade de vida de pessoas com doença crónica. Revista Latino-Americana de Enfermagem, 4 (3), 5-18.

Organização Mundial de Saúde (OMS). (2005). Cuidados inovadores para condições crónicas: componentes estruturais de ação.

WONG J, WONG S: Evidence-based care for the elderly with isolated systolic hypertension. Nursing and Health Sciences 2005; 7: 67-75

Autora do artigo

Cláudia Silva

Psicóloga na ATLAS, Formada em Psicologia Sistémica e Familiar, com formação em Terapia do Luto com crianças e adultos.

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