Velhos Amigos

Velhos Amigos Alcobaça

O Projeto Velhos Amigos abre-nos as portas para experiências únicas e incomparáveis, permite-nos vivenciar as mudanças dos nossos Velhos Amigos e as mudanças que acontecem connosco. Proporciona momentos de alegria partilhada ou de tristeza dividida que nos enriquecem a todos e contribuem para uma construção pessoal e social mais coesa.

Os primeiros meses deste projeto no Município de Alcobaça já nos permitiram formar família com os beneficiários, ultrapassando as desconfianças iniciais e instituindo dinâmicas estruturantes. Esta criação de laços, permitiu-nos encontrar soluções para questões habitacionais ou de saúde que necessitavam de respostas urgentes. Com a colaboração de Voluntários e de Empresas presentes na Comunidade envolvente, foi possível substituir mobília e eletrodomésticos, forrar o telhado, criar um sistema elétrico de raiz, providenciar óculos novos, fornecer roupa nova, entre tantos outros pequenos mimos que foram surgindo naturalmente entre pessoas que se conhecem, que se gostam e que se respeitam.

As mudanças positivas que observamos nos Beneficiários fazem-nos acreditar que estamos a trabalhar no caminho correto, com consciência de que nos encontramos permanentemente em aprendizagem.

Iniciamos a 18 de setembro a Equipa 2, com o mesmo entusiasmo inicial, porque é muito bom ver a família crescer e perceber que estamos a chegar a quem precisa de nós e que no combate à solidão faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para vencer. Vamos também agora consolidar a presença, na visita aos Beneficiários, de adolescentes, atletas do CRP Ribafria, com o intuito de irmos familiarizando os mais jovens com o voluntariado como prática social.

Ao avançarmos pouco a pouco, somos levados a refletir sobre o que tem sido a experiência neste projeto e a palavra que me surge constantemente é “obrigada”. Sem qualquer ordem específica:

Obrigada à Direção, às Coordenadoras e às técnicas que estão sempre na linha de apoio prontas a entrar em acção.

Obrigada aos beneficiários que partilham a sua história de vida de uma forma tão autêntica e que nos recebem de braços abertos fazendo-nos sentir sempre bem-vindos.

Obrigada aos restaurantes que, com um esforço acrescido em tempos de pandemia, não esquecem o seu papel na construção de um mundo melhor e tudo fazem para que este Projeto funcione.

Obrigada às Empresas que têm colaborado connosco, ficamos verdadeiramente emocionados com o carinho com que os nossos pedidos têm sido atendidos.

Obrigada aos Voluntários que com empenho, coragem e compromisso têm cumprido muito mais que a sua missão.

Acredito, desde o início desta aventura, que os voluntários são a força motriz deste projeto, cada um com a sua forma de pensar, de sentir ou de agir, mas todos com um mesmo propósito – cuidar. Às vezes vamos em esforço, outras vezes sentimos que podemos fazer mais, mas a verdade é que aos poucos fazemos a diferença para melhor. Esta é a realidade em Alcobaça, mas também em Leiria, na Marinha Grande, na Batalha, em Coimbra, em Pombal ou em qualquer outro lugar onde cheguem os Voluntários da Atlas, porque esta é a nossa essência.

Todos, formamos uma equipa incrível, uma equipa que se complementa e equilibra com as suas diferentes competências, disponibilidades ou energias. Uma equipa que se rege pelos valores em que acredita e que arregaça as mangas para mudar um mundo de cada vez.

Penso que todos concordamos com o facto de que aprendemos muito com esta experiência e que, apesar do tempo que oferecemos, o que recebemos de volta é muito mais valioso.

Obrigada a nós, todos, que fazemos acontecer, que acreditamos que vale a pena continuar e que recolhemos sorrisos por onde passamos.


Autora
Sílvia Marquês
Voluntária ATLAS. Coordenadora do Projeto Velhos Amigos em Alcobaça

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A implementação do projeto Velhos Amigos no município da Batalha

ATLAS, o nome da nossa Associação, aprendi na formação de voluntários, foi escolhido por representar a figura mitológica também chamada de Atlante que fazia parte do grupo de titãs que foram condenados por Zeus. Ao titã Atlas foi aplicado o castigo de sustentar a abóbada celeste nos ombros por toda a eternidade. 

De facto, durante estes breves meses de voluntariado na ATLAS, sinto que é exatamente isso que move os nossos voluntários veteranos e aqueles que aderiram recentemente na Batalha, ajudar os outros a “carregar” o Seu mundo às costas. Aliviar o peso, mostrar que se interessam por toda a sua história, ajudar o outro dentro da Sua realidade, para que a Vida pese menos.

Implementar o projeto Velhos Amigos no município da Batalha começou lentamente. Devagarinho, conseguimos reunir com as principais entidades autárquicas e da área social, esperou-se.

E devagarinho fomos tentando descobrir o melhor “trilho a percorrer”. Tentativas falhadas, mas ultrapassadas, finalmente surgiu uma saída. Em julho, conseguimos identificar na Vila da Batalha dois beneficiários enquadráveis no perfil do projeto.

A perseverança das nossas Técnicas da Atlas e o apoio das outras Coordenadoras e da Direção foi fundamental para não haver desânimo, mas sim, esperança. O caminho não foi linear, foi necessário descobri-lo! Houve um bom acolhimento imediato da parte dos órgãos autárquicos, mas por outro lado, pouca recetividade de algumas áreas técnicas.

Mas a boa notícia foi a recetividade ao voluntariado, com um número de voluntários inscritos superior ao necessário para a primeira equipa, entusiasmados e com uma disponibilidade evidente e estimulante!

Iniciámos as visitas no primeiro sábado de setembro e está a correr muito bem. Como testemunham os voluntários, “…é gratificante”,” … temos de ser bons ouvintes!”, “ajudar os outros, ir de coração cheio e voltar com o coração a transbordar.”

No fim das contas, o que importa é o Bem que se faz.


Autora
Elizabeth Guerra
Voluntária ATLAS. Coordenadora do Projeto Velhos Amigos na Batalha 

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Velhos Amigos – Um Projeto num vídeo


A ATLAS idealizou, a Fidelidade Comunidade apoiou e a Md3 Studio concretizou.

Na sequência da vídeo promocional, divulgado no passado mês de agosto, em que os voluntários da ATLAS são os rostos protagonistas, partilhamos convosco, na semana em que se celebra o dia internacional do idoso, o vídeo ilustrativo do Projeto Velhos Amigos.

Das gravações, concretizadas em junho de 2021, resulta o vídeo que abaixo partilhamos no qual participam voluntários e idosos – novos e velhos amigos – cujas amizades foram impulsionadas por este Projeto.

Relembramos que os vídeos foram financiados pela Fidelidade Comunidade, na sequência de um prémio ganho em 2019. Mais informações sobre o prémio aqui.

É, nosso desejo, que gostem do vídeo e se revejam na mensagem que lhe subjaz!

O Projeto Velhos Amigos, fundador da ATLAS- People Like Us, está hoje em sete municípios, apoiando mais de uma centena de idosos que residem sós, nos seus domicílios, em circunstância vivencial de isolamento social e/ou vulnerabilidade económica.

Aos voluntários que, incansavelmente, todos os sábados, permeabilizam a prossecução do Projeto, o nosso sincero agradecimento.

Aos voluntários e idosos que, gentilmente, participaram no vídeo, reforçamos tal agradecimento.


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Um vídeo para celebrar o voluntariado.

No mês de Junho, voluntários e voluntárias estiveram em gravações para dois vídeos da ATLAS. Dois vídeos que têm como objetivo divulgar e promover o trabalho da organizaçao junto de parceiros, investidores sociais e de possíveis corações, que se queiram voluntariar.

O primeiro vídeo está pronto para partilhar!

Serão dois vídeos: um geral sobre a ATLAS , que pretende apelar ao voluntariado e um outro específico sobre o Projeto Velhos Amigos. O primeiro está pronto e revela-nos alguns rostos bem conhecidos da ATLAS. São só alguns, infelizmente o tempo do vídeo não nos permite que apareçam todos e todas.

Antes de irmos ao que interessa, o vídeo, dizer-vos que o próximo, sobre o projeto velhos amigos, deverá ficar pronto no mês de Setembro e por isso partilharemos na Newsletter do próximo mês.

Relembramos que os vídeos foram financiados pela Fidelidade Comunidade, na sequência de um prémio ganho em 2019. Mais informações sobre o prémio aqui.

Esperamos que gostem do resultado!

Agradecemos a vossa disponibilidade e entrega, sempre!


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Saudades das festas populares e do nosso Arraial Atlas!

Passou o São João e o São Pedro e faltou o nosso Arraial Atlas, cada ano mais aprimorado! O porco a assar no espeto, as sardinhas, a paelha, as sandes de leitão, o café da avó, os bolos, e ainda os arcos, as flores e as luzes que enfeitam os socalcos… O branco e o vermelho pontilham o jardim, são dezenas de voluntários juntos, cada um dando o seu melhor! 


É um ponto alto do trabalho voluntário, do convívio, da alegria do reencontro, de receber quem se estreia na Atlas.

Neste verão sinto falta dos Arraiais, das Festas Populares… As festas polvilham de cor um fim de semana por cada aldeia, quando alguma da gente que lá cresceu se junta para honrar o Santo Padroeiro e, assim, ter pretexto para estar em festa o dia inteiro! Cozinham-se petiscos do melhor, põe-se a tocar música que toda a gente canta e dança (nem que seja só “nessa noite de verão”) e o espírito rejuvenesce! A energia dos dias grandes e a brisa refrescante das noites de verão trazem o povo para a rua, “só mais dois dedos de conversa” e, quem sabe, um pezinho no bailarico.

Arraial Solidário 2019 da ATLAS People Like Us, Barreira (Leiria)

Nas festas populares perpetuam-se tradições e, assim, estamos em sintonia com as gerações que desbravaram antes de nós. As Festas dos Santos, por exemplo, são celebrações católicas que dão continuidade aos festejos pagãos do solstício de verão. Os festejos assinalavam o dia com mais horas de luz solar, tão importante para o amadurecimento dos frutos e cereais, celebrando a fertilidade da Terra, pois as colheitas surgiriam em breve. Estes rituais de fertilidade chegam aos nossos dias simbolicamente representados no manjerico, planta que os namorados oferecem, um ao outro, com versos de amor. [1]

Se neste verão ainda não podemos viver as Festas com toda a sua expressão, então, que façamos algo que nos mantenha ligados à tradição, cada um ao seu jeito (comprar um manjerico; confecionar o típico bolo em ferradura; escrever quadras aos Santos; cantar música de Arraial; etc.) As tradições mantêm-se pela ação de cada um de nós e são história de um povo que uma geração conta à seguinte.

Ó meu rico São João,
Temos saudades do Arraial

Enche-nos de esperança o coração,
E que no próximo ano haja um sem igual!


[1] https://www.visitportugal.com/pt-pt/no;


Autora
Sofia Carruço
Psicóloga e Voluntária na Atlas – People Like Us, em Leiria

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Atribua, sem custos, 0,5% do seu IRS à ATLAS

e ajude-nos a apoiar idosos em situação de isolamento

​Sabia que ao preencher a sua declaração de IRS pode doar 0,5% do seu imposto a uma organização social, sem receber menos e sem pagar mais?

Basta uma cruz no quadro 3 do campo 11, quando estiver a preencher o seu IRS e colocar o nosso NIF – 508 425 913, como aparece no esquema abaixo.

Dúvidas e Respostas

posso escolher o destino da minha consignação?

A lei portuguesa permite que todos os contribuintes possam doar 0,5% do seu IRS já liquidado a Instituições Particulares de Solidariedade Social ou Pessoas Colectivas de Utilidade Pública, entre as quais a ATLAS – People Like Us.


porque devo escolher a ATLAS – People Like Us?

Porque ao apoiar a missão da ATLAS – People Like Us, está a contribuir para a que consigamos fazer crescer o Projeto Velhos Amigos e apoiar mais idosos em situação de isolamento e carência económica.


atribuir 0,5% do meu IRS à ATLAS tem custos?

Consignar 0,5% do seu IRS à ATLAS – People Like Us não tem qualquer custo para si. Ao fazê-lo, está a canalizar parte dos seus impostos (que de outra forma ficariam para o Estado) para a instituição.


quando posso preencher o meu IRS e fazer a consignação de 0,5% do meu IRS à ATLAS?

Em 2021, o prazo de entrega da declaração de rendimentos decorre entre: 1 de Abril a 30 de Junho, independentemente do tipo de rendimentos recebidos.


Obrigada por apoiar a nossa missão!

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Velhos Amigos na Inauguração da Startup de Inovação Social de Leiria

A inauguração aconteceu no dia 28 de junho, e contou com a presença da ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social – Ana Mendes Godinho.


Desde 2019 a ATLAS tem participado ativamente nas atividades da incubadora IDDNET. Ainda em 2019 marcámos presença no 1º Bootcamp em Empreendedorismo Social, realizado em Leiria. Este Bootcamp, promovido pela IDDNET, contou com a organização do IES – Social Business School e com o investimento social do IPLeiria.

Em 2020 a incubadora IDDNET anunciou a fusão com a aceleradora StartUp Leiria. As duas entidades são agora uma só com a designação de StartUp Leiria.

Pode ser uma imagem de 4 pessoas e pessoas sorrindo
Certificados de 1º Prémio do Bootcamp em Empreendedorismo Social, promovido pela IDDNET – Startup Leiria

Atualmente a ATLAS recebe apoio da Startup Leiria no desenvolvimento de um projeto de inovação social que pretende vir a integrar idosos artesãos na comunidade através de um trabalho colaborativo com jovens designers.

A colaboração com a Startup Leiria tem permitido reforçar as competências da equipa técnica no âmbito da inovação social, desenvolvimento de planos de negócio assim como medição de impacto social. Ainda em 2019 a incubadora fez a revisão da candidatura do Projetos Velhos Amigos ao financiamento Parcerias para o Impacto, promovido pelo Portugal Inovação Social. Com candidatura ganha e já em execução, no dia 28 tivemos a oportunidade de apresentar o projeto.

Apresentação do Projeto Velhos Amigos, dinamizado pela ATLAS People Like Us na Inauguração Startup de Inovação Social de Leiria.


“Temos de ter uma nova inspiração para diferentes respostas sociais que não deixem ninguém para trás, desprotegido ou fora da comunidade. Precisamos de cérebros dedicados à inovação social”, afirmou a ministra Ana Mendes Godinho.


O projeto Velhos Amigos permite o acompanhamento de idosos em situação de isolamento social e carência económica. Alinhado com as necessidades sociais assim como com as políticas nacionais o projeto promove a cidadania ativa e a responsabilidade social. Com a aprovação da candidatura (Parcerias para o Impacto), em 2020, é mantida a génese do projeto Velhos Amigos com a mobilização da sociedade Civil e a entrega de refeições e é permitida uma acrescida monitorização e acompanhamento do bem-estar e qualidade de vida dos idosos apoiados dos municípios de Pombal, Leiria, Marinha Grande e Batalha.

Beneficiária de Pombal em contacto com uma voluntária da ATLAS – People Like Us

Saber mais sobre o projeto.

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Autoestima e adultez avançada

Envelhecimento é um processo que dura toda a vida e não uma fase ou uma etapa.

O autoconceito é a perceção que o individuo tem de si. É o que cada um pensa e conhece de si.

O envelhecimento como a autoestima são conceitos que fazem parte do processo desenvolvimental. Não existe uma autoestima para a fase da adultez avançada existe só autoestima e existem adultos.

Começando por esclarecer a noção de autoconceito.

O autoconceitopode ser definido como o conjunto de pensamentos e sentimentos que se referem ao self enquanto objeto. Não é necessariamente uma visão “objetiva” do que somos, mas antes um reflexo de nós próprios tal como nos percecionamos. O autoconceito está associado à noção de autoestima. Autoestima é o grau com que o sujeito gosta de ser como é. “A autoestima corresponde aos aspetos avaliativos e emocionais do indivíduo” (Fachada, 2006, p. 123). Então estes dois conceitos, autoestima e autoconceitos, ou seja, o quanto gosto de mim e o que perceciono que sou, revelam-se fundamentais para a definição do nosso comportamento. Então, adultos com elevada autoestima são sociáveis e populares com os outros, confiam mais nas suas próprias opiniões e julgamentos e estão mais seguras das perceções de si próprios. Quando avaliados a nível psicológico são pessoas mais saudáveis e mais adaptadas e sofrem menos de stress quando confrontados com situações de ansiedade, perda, etc. Contrariamente pessoas com baixa autoestima são pessoas infelizes e vêem-se como fracassadas. Abandonam facilmente os desafios, são pessoas ansiosas e com forte sentimento de culpa e são consideradas por si mesmas como incompetentes.

Este processo de definição do que sou e do quanto gosto de mim, processo de aprendizagem, ocorro ao longo da vida e é fortemente influenciado pela forma como significamos os acontecimentos da vida, existindo uma relação entre aprendizagem e comportamento.

Psicoterapia na terceira idade – Psicóloga Bilaine Lima
Autoestima e adultez. “Então estes dois conceitos, autoestima e autoconceitos, ou seja, o quanto gosto de mim e o que perceciono que sou, revelam-se fundamentais para a definição do nosso comportamento.”

O cérebro humano é, um órgão altamente especializado para a adaptabilidade e a resiliência que se molda e se constrói para capacitar a pessoa. É a partir da interação e da interdependência, que o cérebro constrói as suas estruturas para se adaptar aos contextos com que se vai deparando, e para ganhar habilidade para se adaptar a esses contextos, numa permanente alternância entre sentimentos de ressentimento e de recompensa, onde a reparação intersubjetiva tem um papel mediador. Mas para que este movimento reparar se perpetue é necessário que seja alimentado por novas relações intersubjetivas de boa qualidade. A interação e a interdependência que cada cérebro tem com os outros cérebros, bem como, a sua plasticidade que se prolonga ao longo de toda a vida, são a fonte de regulação neurobiológica do crescimento psíquico e da saúde mental (VASCONCELOS, 2017). Esta ideia sobre o cérebro social e de como este se desenvolve esclarece alguns aspetos do desenvolvimento psicossocial na vida Adulta avançada. Falamos da família, dos amigos e dos projetos que queremos desenvolver nesta fase. Assim, podemos ter novos amigos ou mesmo acrescentar novas pessoas ao nosso ciclo familiar.

Os estereótipos levam-nos a acreditar que a adultez avançada é um tempo de solidão e isolamento: as pessoas na idade da reforma são pessoas mais isoladas. No entanto os estudos desenvolvidos nesta área falam que 9 em cada 10 adultos atribuem maior importância à família e aos amigos para desfrutarem uma vida repleta de significado e motivação, ou seja, nesta fase mantêm níveis de apoio social, identificando os membros do seu círculo social que podem ajudá-los e, afastam-se daqueles que não lhe dão apoio.

É importante referir que nesta fase do desenvolvimento as pessoas tornam-se mais seletivas. 

Escolhem estar com as pessoas e nas atividades que respondem às suas necessidades emocionais imediatas. Tendem a ter o mesmo relacionamento íntimo que nas fases anteriores do desenvolvimento e a sentir o mesmo grau de satisfação, ou seja, necessitam na mesma dos amigos e afastam-se das pessoas que os aborrecem.

Os seus sentimentos pelos amigos são tão fortes quanto os dos jovens adultos e os sentimentos positivos em relação à família são mais fortes (Papalia, 2013). Assim, os que têm mais amigos nesta fase do desenvolvimento são mais saudáveis e felizes. Nesta fase, os adultos mantêm os seus confidentes. Falam com eles dos seus sentimentos, dos seus pensamentos e estes relacionamentos tendem a melhorar com as mudanças e as crises de envelhecimento. Os amigos de longa data podem perdurar, até idades mais avançadas, mas as pessoas na idade avançada fazem novos amigos e revelam-se amigos com afeição e lealdade (Papalia, 2013).

Em síntese esta é uma fase da vida em que os adultos sentem necessidade dos seus amigos e devem ser estimulados a estar com pessoas com quem podem comparar-se e que servem de apoio, desenvolvendo de forma correta o seu autoconceito e a sua autoestima.

Partilha de referências:

  • Fachada, O. (2006) Psicologia das Relações Interpessoais. Editora Rumo.
  • Papalia, D. (2013). Desenvolvimento Humano, 12ª ed. Artmed.
  • Vasconcelos, A. (2017.) O Cérebro Social: Compreendendo o Cérebro como um Órgão Social. Interações: Sociedade e as novas modernidades. 32 (6) 34-52.

Autora
Mª João Santos
Mestre em Psicologia Clínica e Doutorada em Psicopedagogia da criança pela Universidade do Minho. Atualmente docente no IPLeiria.

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Quando o “Não” é para banir

Por incrível que pareça aos oitenta e quatro anos fui convidada para fazer parte de um projeto que me era totalmente desconhecido e em tudo diferente daquilo a que estava habituada. 

Aceitei porque quase bani do meu vocabulário a palavra «não».

Acho-a uma palavra demasiado forte e só a uso em situações extremas. Prefiro substituí-la por um sorriso.

Devo dizer que não fazia ideia do que me esperava. Aceitei e gostei. Foi aí, nesse projeto, que tive verdadeira consciência de que é: no dar que se recebe e que se recebe sempre mais do que aquilo que se dá. 

Eu saía para ir fazer companhia a quem estava só, mas verdade é que eu também beneficiava dessa companhia. Entretanto surgiu a pandemia, diminuíram as visitas, foram aparecendo elementos novos e cessei as minhas atividades.

De qualquer modo continuo na retaguarda pronta para o que seja preciso dentro das minhas possibilidades e capacidades.

Conheci pessoas maravilhosas, além das que já conhecia, tanto utentes como cuidadoras, que muito admiro e que vieram aumentar o meu grupo de amigos.

Recordo aqui alguns encontros que ficaram para sempre na memória. Bem-haja a todas e a todos. Um abraço de profundo reconhecimento. Convosco fiquei mais rica. 


Autora
Maria Fernanda Alegre
Voluntária do Projeto Velhos Amigos, nasceu a 6 de julho de 1933, no concelho de Condeixa a Nova. Fez o curso no magistério primário. Depois de se reformar, tem-se dedicado ao voluntariado.

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Envelhecimento e Proteção Social

O envelhecimento é um processo complexo que ocorre ao longo de toda a vida, que envolve aspectos de vária ordem, como demográficos, económicos, sociais e familiares e que, tendo em conta a forma de envelhecer, não pode ser visto, apenas, no âmbito biológico.

No conceito de envelhecimento, deve considerar-se a idade cronológica, a jurídica (relacionada com direitos e deveres da sociedade), a psicoafectiva (relacionada com a personalidade e emoções), a social, e a biológica e física (ligadas ao ritmo de envelhecimento individual). Cada idoso é um ser único que envelhece ao seu ritmo, sendo este processo heterogéneo. Este processo e ritmo variam com base, por exemplo, no estilo de vida, alimentação, escolaridade, profissão exercida, etc. O idoso tem mais vivências, anos de vida, doenças, perdas, tempo disponível e sofre de preconceito! Assim, este processo de envelhecimento não deve ser considerado uma tragédia individual e, muito menos, colectiva, pelo facto de o idoso ter perdido o seu papel produtivo na sociedade!

Consequentemente, os idosos, dada a sua vulnerabilidade, estão mais sujeitos à discriminação social, levando a que, por vezes, se encontrem abandonados, em perigo, alvo de violência e falta de respeito pelos seus direitos!

Para que tal seja minimizado, foi necessário a adoção e criação de modelos de intervenção a nível familiar, social e de cuidados de saúde, devidamente enquadrados  juridicamente, para garantir o “envelhecer” com dignidade, segurança e respeito pela vida do idoso, modelos estes que se devem adequar à natural e “moderna” evolução do próprio envelhecimento, priorizando, sempre, os direitos individuais e o respeito pela pessoa idosa! Criaram-se, assim, Comissões de Proteção de Idosos, creio serem, em Portugal,19! Estas Comissões pretendem garantir o que referi atrás, mas, caso esses direitos estejam, ou sejam, ameaçados, e não respeitados, o recurso ao Ministério Público, permite-lhe, por legitimidade, agir!

Envelhecer com dignidade e direitos

Dado haver, socialmente, défice generalizado de conhecimento do universo jurídico, acentuado nos idosos, acompanhado, na maioria dos casos, de carência económica, dependência física e psicológica, é necessário que todos nós estejamos atentos e defendamos os direitos da pessoa idosa, fazendo-os respeitar, exigindo à sociedade que, igualmente, os respeitem, recorrendo, se necessário for, à via judicial, pois, nem sempre a pessoa idosa, devido a tudo o que foi sendo referido, se consegue defender! Esta atenção deverá ser redobrada, uma vez que, de acordo com o último Censo, a estrutura etária da população Portuguesa evidencia, na respectiva pirâmide etária, um acentuado aumento da população idosa que assenta na diminuição da Natalidade e aumento da Esperança Média de Vida! Prevê-se que, segundo as projeções do INE, até 2060 o Índice de Envelhecimento aumente até aos 307 idosos por cada 100 jovens!

As instituições como a Atlas, deverão ter um papel importante de proteção social na defesa e denúncia destes direitos, devendo estar, particularmente, atentas ao direito a condições dignas de habitação e respectiva  acessibilidade, aos cuidados de saúde, bem estar e segurança de todos os casos que conheça, e, em particular, aos dos seus Beneficiários, pugnando pela efectivação de todos esses seus  direitos!  Assim o temos feito na Atlas e, dada a nossa persistência, temos sido bem sucedidos!


Autora
Isabel Guimarães
Voluntária, Coordenadora do Projeto Velhos Amigos em Leiria

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