ATLAS People Like Us

A ATLAS tem como Missão intervir na comunidade, de modo a criar alavancas de Desenvolvimento Humano Integrado e Sustentável, através da promoção do voluntariado e da cooperação.

Este é o resumo de um trabalho que preparei para um grupo de jovens. Quando mo pediram achei descabido falar de envelhecimento a jovens, mas pensando melhor não é tão descabido como possa parecer. A velhice começa a preparar-se muito cedo.

Eu própria a fui preparando, sem me aperceber. Mas agora, olhando para trás, vejo que se não tivesse assentado a minha vida em três valores que considero essenciais não teria hoje nada de positivo para transmitir aos mais novos. 

 E quais são esses valores?

1 – Ter objectivos e lutar por eles 

2 – Não virar as costas às dificuldades

3 – Responder aos desafios.

Permitam-me que refira alguns exemplos:

1 — Estudamos porque queremos tirar um curso onde nos sintamos realizados e que nos dê uma certa estabilidade financeira e emocional.

2 — Casar e ter filhos. Não é nada fácil conciliar a vida profissional com a vida familiar. (Cheguei a ter cinco homens à minha responsabilidade numa altura em que os homens não colaboravam nas tarefas domésticas).

3 — Quando me aposentei não parei. Comecei por colaborar em movimentos da Igreja. Além de outras actividades fui catequista. Do grupo de Catequese nasceu um grupo de Jovens que me proporcionaram momentos incríveis (encontros com outros grupos, viagens, convívios) Aqui os mais novos ficam a saber como podem ajudar os mais velhos a envelhecer de uma forma bem agradável.

Fiz parte de um grupo sócio caritativo onde me senti totalmente realizada (contribuir para que alguém possa ser um pouco mais feliz) Paralela e individualmente estava atenta e ajudava quem precisava da minha ajuda. 

Participei na Política. Aí não era bem a «a minha praia», mas, por insistência de terceiros, fiz parte dos Órgãos Políticos de um partido e fui candidata a uma Junta de Freguesia.

Mais tarde matriculei-me numa Universidade Sénior e, com mais de 70 anos, iniciei-me nas novas tecnologias. Convivi, fiz novos Amigos, obrigava-me a sair de casa. Ainda me mantenho na hidroginástica. Faz bem ao corpo e à mente.  Concluo partilhando com os leitores a convicção de que para envelhecer de uma forma mais agradável não podemos parar nem ter uma vida facilitada. Antes, pelo contrário, vamo-nos treinando para vencermos as dificuldades que a vida nos vai apresentando e enfrentarmos todos os desafios.


Autor
Maria Fernanda Alegre

Nasceu em 6 de julho de 1933, no concelho de Condeixa-a-Nova. Fez o curso no magistério primário. É viúva, tem 3 filhos e 2 netos. Depois de se reformar, tem-se dedicado ao voluntariado.



POR PESSOAS COMO NÓS, JUNTA-TE À NOSSA CAUSA.



Em São Tomé e Príncipe as crianças não choram. Não podem chorar. As mães precisam de realizar todas as tarefas diárias e não há tempo para embalar ou esperar que uma simples cólica infantil, ou até mesmo uma birra, passem. Desde o nascimento, as crianças são transportadas às costas pelas mães, mulheres lutadoras que executam todas as tarefas na companhia dos filhos. Seja na rua a vender peixe, a vender carregamentos de telemóvel, no rio a lavar a roupa, em casa a confecionar os alimentos ou até na escola, a guerreira mulher santomense faz-se acompanhar do filho bebé atado a si por um pano resistente e colorido que, miraculosamente, o mantém em segurança. E a criança não chora. Dorme no aconchego do calor corporal materno, mantém-se em paz no embalo dos passos da mãe.

Num país onde as condições de vida ficam aquém do que a Declaração Universal dos Direitos Humanos preconiza, as crianças não choram. E a infância em São Tomé e Príncipe não é a infância que hoje valorizamos e respeitamos. Não há jogos nem brinquedos. Em seu lugar, os saltos na praia, a corrida a equilibrar um pneu com um pau ou a brincadeira com um carrinho feito com madeira, latas ou garrafas de plástico ocupam o tempo das crianças. Mas elas não choram. Aceitam. Vão vivendo. E esperando. Talvez esperem que, um dia, os seus direitos venham a ser os mesmos dos meninos da Europa ou da América. Talvez esperem que o seu futuro possa vir a ser risonho apesar de o seu país não ter emprego para todos. Talvez esperem só por esperar. E vão vivendo. Felizes.


Autor
Helena Jesus
Voluntário da ATLAS



POR PESSOAS COMO NÓS, JUNTA-TE À NOSSA CAUSA.



Final do ano é naturalmente momento de balanço, olhar para o que correu bem, compreender o que correu menos bem, alicerçar o que virá.

Ao refletir sobre o Projeto “Velhos Amigos” em Alcobaça, numa perspetiva muito pessoal, compreendo que como coordenadora nem sempre tive a disponibilidade necessária para chegar mais longe, nem sempre soube de imediato o que fazer em cada situação, nem sempre fiz o que tinha planeado. Foi um ano bastante desafiante, talvez por ser nova nestas andanças, talvez por sentir ainda alguma insegurança ou simplesmente porque os laços estabelecidos entre pessoas são exigentes e sensíveis numa mesma medida.

Eu não cheguei a todo o lado, nem queria chegar, porque só em equipa se chega mais longe. Nenhuma situação ficou por resolver, estivemos presentes em cada fim de semana, agilizamos as consultas necessárias, levamos aos beneficiários o que tinham em falta e isso, só foi possível, porque temos os melhores voluntários que poderíamos desejar.

E porque são os voluntários que tornam possível este trabalho, também o balanço foi partilhado por todos, aqui ficam alguns testemunhos:

“Para mim esta experiência tem sido muito enriquecedora, pois acho que eu ganho mais do que de alguma forma dou. Sempre achei que ouvir os mais velhos a partilharem as suas experiências de vida é educativo pois leva-nos a refletir sobre a nossa própria vida e muitas vezes a minimizar o que achamos ser deveras importante ou trágico na nossa própria vida.

Estamos sempre a aprender e isso no fundo é que conta, pois no dia em que acharmos que já não temos mais nada para vivenciar e aprender será o último dia da nossa existência.

Obrigada Atlas por existires e nos ensinar o que realmente importa!”

Fernanda

“O projeto Velhos Amigos fez-me perceber que podemos fazer diferença na vida de outras pessoas com gestos tão simples como partilhar um pouco do nosso tempo na sua companhia.

Quando nos apercebemos que no dia da nossa visita nos esperam ansiosos, sinto que não é em vão que o fazemos. É uma oportunidade de mudar a vida de outras pessoas incluindo a nossa.”

Rosa

“Fazer parte do Projecto ” Velhos Amigos” tem sido uma experiência muito enriquecedora a nível pessoal. As idosas D. Lídia e D. Cecília, são umas queridas cada uma ao seu jeito, muito meigas e carentes de atenção e mimo. Estou a gostar muito deste Projecto, deviam existir mais pessoas a fazer o Bem sem olhar a quem!!”

Susana

“A sociedade em geral fecha os olhos a situações de infelicidade que muitas vezes estão na porta ao lado. A Atlas, com os seus projectos, contribui para reduzir essa indiferença, e é com muita alegria que faço parte dessa contribuição. A minha experiência no projecto “Velhos Amigos” é muito recente, mas já sinto que as pessoas que apoiamos estão mais felizes. Obviamente que não conseguimos fazer tudo o que gostaríamos, as dificuldades e os problemas porque algumas pessoas já passaram ou vivem actualmente, são demasiado complexos para que sejamos nós a conseguir resolvê-los todos.

Mas de uma coisa eu tenho a certeza, falo por mim mas sei que o sentimento é comum; a ajuda que dou ao ouvir ou acarinhar alguém que vive sozinho, é muito mais, muito mais mesmo, do que o pequeno esforço que eu despendo.  E isso, também faz a diferença na minha vida.

Obrigado por isso”

Lino

“Quando assumi o compromisso de ser voluntária da Atlas não tinha uma ideia concreta do que significaria, talvez fosse falhar porque não tinha tempo, talvez não conseguisse lidar com as situações no terreno, talvez não tivesse a capacidade emocional de gerir os acontecimentos…

Tudo o que acontece a cada visita aos beneficiários, que são a razão maior deste projeto, supera em muito o que alguma vez possa ter pensado atingir. A nossa presença leva, sem qualquer dúvida, alegria e a alegria é uma grande responsabilidade.

Cada visita ultrapassa-nos, é sempre uma demonstração poderosa de como a solidariedade posta em prática pode construir um mundo melhor para todos. Não estamos neste projeto para nos servir a nós, mas para servir os outros, para lhes melhorar a vida, a disposição, o estado de espírito.

Estamos a exercer cidadania, solidariedade, estamos a aprender, estamos a crescer, estamos a ajudar, mas estamos acima de tudo a viver uma experiência sem igual e a cada visita voltamos de coração cheio, porque vamos dar, mas trazemos muito mais de volta.

O tempo que dedico a esta causa parece sempre pouco, e achava eu que “não tinha tempo”.

Obrigada à Atlas e à Sílvia por fazer parte deste projeto.

Obrigada ao Sr. Rafael e à D. Prazeres por nos permitirem esta experiência transformadora!”

Tânia

“A Sílvia há muito me falava, com entusiasmo, da sua experiência no projecto Velhos Amigos, mas eu embora, seja da minha essência o ajudar o próximo, nunca me revi num projecto ligado à terceira idade!

Mas quando ela me desafiou não consegui dizer que não.  E sinceramente estou agradavelmente surpreendida, o tanto que eles nos enchem o coração, é tão gratificante ver como um pequeno gesto nosso pode ser tão importante para a vida deles.

Uma grande aprendizagem, dar sem julgar.

Muito obrigada!”

Helen

“No dia-a-dia por vezes sem termos tempo para pensar, damos tudo como adquirido, a nossa saúde, o nosso emprego, comida na mesa, vida social, hobbies, amigos, etc.. Ao sermos voluntários ATLAS conseguimos perceber e aprender, ao ouvirmos relatos de beneficiários, que somos uns sortudos por termos tudo isso e que o nosso conceito de felicidade é muito diferente do deles. Mas ao dedicarmos apenas duas horas ao sábado e vermos a diferença que isso faz à vida dos idosos, conseguimos verdadeiramente perceber o que é SER(MOS) FELIZ(ES)!!

Samuel                                                                                                                    

Começar por dizer que desinstalarmo-nos do nosso dia a dia pode ser difícil mas certamente que faz a diferença no nosso pequeno mundo… torna-nos melhores… e então faz despontar em nós algo que nunca pensamos… que é a humanidade!

A humanidade é isto… é sentir que podemos ser “algo” ser “motor” ser “vida “para alguém!! E é tão bom dar vida .. ainda por cima nas pequenas coisas.

Neste projeto vivenciamos que somos mais que pessoas que distribuem refeições… somos casa e somos acolhimento na vida de alguém… somos aqueles que escutam e saímos do nosso “fim de semana” com aquela sensação de tranquilidade e missão cumprida!!

É bom ver que vamos crescendo enquanto projeto e que conseguimos mudar sinceramente o mundo daqueles a quem ajudamos… e acima de tudo sentimos que somos super acompanhados pelas Atlas.

Um bom natal e bom ano a todos os que saem de si para dar aos outros!”

Rafaela e Pedro

Estas são algumas das contribuições para o balanço do Projeto “Velhos Amigos”, feitas na primeira pessoa por quem dá de si a cada fim de semana, com coragem, com afeto, com a energia necessária para se superar a si e acrescentar vida à vida dos nossos beneficiários. Obrigada aos voluntários incríveis que se juntam à Atlas e que, em equipa, constroem redes de suporte e fazem acreditar de novo quem já só pensava em desistir.

Para o novo ano só desejo que consigamos continuar a levar sorrisos a cada casa, ultrapassando as dificuldades que surjam e que as redes construídas se tornem cada vez mais fortes, para que a essência da Atlas continue a mudar as vidas de todos os intervenientes. 2022 já pode chegar 🙂

* ”balanço”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2021, https://dicionario.priberam.org/balan%C3%A7o [consultado em 27-12-2021].


Autor
Sílvia Marquês

Voluntária ATLAS. Coordenadora do Projeto Velhos Amigos em Alcobaça.



POR PESSOAS COMO NÓS, JUNTA-TE À NOSSA CAUSA.



Nestes tempos estranhos que vivemos, a ATLAS está lentamente a voltar à sua normalidade… E foi como bastante alegria e entusiasmo que voltámos aos eventos presenciais de Natal.

Estes eventos levam a ATLAS para juntos das pessoas, fazendo com muitas delas conheçam pela primeira vez a nossa associação e o nosso trabalho e contribuam para que os nossos projetos continuem no terreno.

Na cidade de Leiria, estivemos presentes no Jardim Solidário, no Jardim Luís de Camões, de 28 de novembro a 19 de dezembro, aos fins de semana e feriados. A nossa barraquinha esteve recheada de boas energias, pessoas fantásticas e iguarias incríveis. As gomas, o vinho quente, os queques e as filhoses foram um sucesso!

Marinha Grande, de 17 a 23 de dezembro, decorreu o Mercadinho de Natal, no Parque da Cerca. Estes dias foram marcados pela generosidade, empenho, dedicação e convívio dos nossos voluntários e de todos os que nos visitaram nestes dias. O maior sucesso deste ano foram coscorões “da Vieira”, que se venderam muito bem e até houve encomendas!

Ano após ano, sábado após sábado, evento após evento, os nossos voluntários demonstram o seu compromisso e o seu amor para com a ATLAS! Um abraço de coração a todos vós!

Autora:

Joana Caetano

Voluntária da ATLAS



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Visite-nos e, como tão bem diz a Dora Rodrigues, tragam a vossa excelente disposição e alegria!

Em Leiria, nos fins de semana de 11 e 12, e 18 e 19 das 12H00 às 18H00, o Jardim Solidário, no Jardim Luís de Camões.

Pode ser uma imagem de ao ar livre

Na Marinha Grande, o Mercadinho de Natal, dia 17 das 18 às 21H30, dias 18 e 19 das 11 às 21H30, dias 20, 21, 22 e 23 das 14H30 às 21H30, no Parque da Cerca.



POR PESSOAS COMO NÓS, JUNTA-TE À NOSSA CAUSA.



No dia 19 de novembro realizou-se na Delegação ATLAS da Marinha Grande mais um “Encontro ao Serão”, uma iniciativa que em cada sessão se tem revelado muito interessante e agradável. Neste encontro o tema foi o “Burnout”, apresentado pela voluntária Catarina Fortunato.

Falar deste evento é simultaneamente fácil e difícil. Começo pela parte fácil: A forma amigável e acolhedora como fomos recebidos pelos anfitriões, a Dora Birrento  e a equipa da Marinha Grande, o cuidado que puseram na preparação da sala, e a simpatia e profundo conhecimento do assunto que a oradora, Catarina Fortunato, tão claramente nos fez sentir.

Falar de assuntos sérios e complexos de uma forma acessível e interessante, que faz com que tudo pareça fácil, é uma arte que a Catarina tem em abundância, mas que falta ao autor destas linhas. E é aqui que entro na parte difícil deste texto: Escrever umas linhas que façam justiça à qualidade do que foi dito! Confesso que não consigo melhor solução de que respigar das próprias palavras da Catarina algumas das ideias apresentou.

Comecemos pelo título e subtítulo da apresentação, que constituem por si só, um tema para reflexão: “Sinto que preciso de parar: Será que estou a entrar em Burnout?” e “A importância do cuidado e da instalação de microhábitos” que, como nos referiu, tratam-se de passos positivos em direção a uma vida que nos faça sentir mais realizados. Mas o que é o “burnout”? Segundo a Organização Mundial de Saúde, trata-se de um “fenómeno ocupacional”, uma “síndrome” (conjunto de sinais e sintomas que caracterizam uma doença) “causado por stress laboral crónico mal gerido”, que se manifesta por “exaustão emocional, despersonalização/desumanização, e baixa realização profissional”. É fácil perceber as consequências destes sinais e sintomas nas nossas vidas profissionais e privadas! E não se pense que estamos a falar de algo que só acontece aos outros ou que, se nos acontecer, significará que somos fracos num mundo de fortes e, por isso, o melhor será carregarmos sozinhos as nossas dificuldades! Não, definitivamente nenhuma dessas situações corresponde à realidade! “Portugal é o país europeu com maior risco de burnout” e “se algum dia sentirmos que estamos a precisar que cuidem de nós, não é um fracasso pedirmos ajuda!” Bem pelo contrário: “É sim um ato de coragem e de querer recomeçar”! Por isso “precisamos de parar para cuidar de nós próprios! Só assim poderemos garantir que daremos o melhor de nós a cuidar dos outros” e “se estamos realmente empenhados em cuidar das pessoas de quem mais gostamos e em termos mais sucesso na nossa vida profissional, a nossa prioridade deve ser sempre: Investirmos em nós próprios!”

O debate que se seguiu entre os 24 participantes no Serão foi um sinal de quanto o assunto interessou a todos. Um debate vivo e amigável entre pessoas conscientes das dificuldades que a vida nos pode trazer por razões absolutamente externas à nossa vontade, mas que acreditam que “quando nós mudamos, tudo à nossa volta muda!”

A Catarina terminou com um desafio a cada um dos participantes: “O que levo daqui hoje para implementar já amanhã?”. Pela minha parte, o que fiz no dia seguinte, guardo para mim, mas o que certamente farei para o ano, partilho convosco: Assistir à apresentação que a Catarina nos prometeu fazer num Serão em 2022!

Obrigado, Catarina!


Autor
Rui Bingre
Voluntário da ATLAS



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É de inverno e tem cores notáveis que vão desde o verde esperança (essa ESPERANÇA que tanto precisamos para sacudir esta pandemia); passando pela cor laranja que enaltece prosperidade, força, coragem e ousadia. Já mais para o final, antes de podermos degustar o seu esplendor aromático, o Medronho, fruto do Medronheiro (Arbutus unedo L.), esta pequena e maravilhosa baga, ostenta o seu vermelho rubro de paixão, um escarlate inconfundível repleto de poder, de energia e sedução. Eugénio de Castro (Coimbra, 1869 —1944) dedicou-lhe a Mantilha de Medronhos, que retrata uma das suas viagens a Espanha numa das suas obras de sonetos, tendo logo no poema de abertura arrematado com “Olé, olé, salero (pequeno-almoço)! … de medronhos compus a mantilha/para alindar com ela a minha Musa: Portuguesa, parece uma andaluza/envolta em xaile de Manilha”. Segundo Carvalho J.A. (2007), este poeta Conimbricense do Séc. XIX, terá usado esta paleta de cores do Medronho para relacionar a sua paixão pela pátria mãe, nomeadamente as cores vermelho rubro do fruto e o verde das folhas. Terá ainda, no mesmo andamento de sonetos, usado este delicioso fruto mediterrânico para sugerir a cor dos lábios de uma mulher, curiosamente não espanhola mas inglesa, que terá encontrado em La Alhambra “tez albirrosada, /louras tranças…, não trazia mantilha…”.

Talvez o Professor, Doutor em Letras, Eugénio de Castro não soubesse à época em que lecionava na Universidade de Coimbra, que deste fruto brotam prolixos, atributos químicos apenas comparáveis aos mais notáveis frutos vermelhos e bagas que encontramos em poucas geografias do mundo. É todo um manancial de ácidos orgânicos, uma luxúria de compostos bioativos com atividade antioxidante, de fibra e de açúcares gulosamente simples e complexos. São os aclamados e aplaudidos ómega3, as prestigiadas vitaminas C e D, entre muitos outros que o léxico encomendado não chega para os retratar.

Descubra-o, porém, no seu arbusto, nos ecossistemas que circundam a urbe, nos morros e nas cordilheiras, nas passeatas higiénicas ou nas corridas frenéticas. Descubra-o nas tardes bucólicas de outono enamoradas de vermelho rubro que cai sobre o horizonte, descubra-o num voluptuoso Medronho de intenso vermelho…, ou nos lábios escarlates de uma musa…, descubra o Medronho!


Autor
Rui Lopes
Voluntário da ATLAS. Nutricionista apaixonado por Medronhos



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Natal é por si só uma palavra mágica que nos transporta para a nossa infância, para cenários mágicos cheios de luz, odores e sabores. Que nos aguçam os 5 sentidos e que nos fazem entrar num Universo de paz e alegria que não tem paralelo com outras épocas do ano. É também uma altura de renovação, de gratidão e fraternidade, em que o outro entra na nossa vida como se lhe pertencesse, em que estamos mais receptivos e atentos aos que nos rodeiam de perto, bem como, aos que temos como mais vulneráveis e frágeis.

Natal é o que fazemos todo o ano aqui na Atlas, quando transportamos um pouco de nós para aqueles que nos parecem precisar mais. E é nesta dádiva pessoal que queremos continuar a fazer Natal sempre. Com menos luzes e aromas é certo, mas com o espírito de doação que nos caracteriza. 

É altura de agradecer a quem é voluntário nesta casa, a quem trabalha aqui, a quem é nosso parceiro e faz também as coisas acontecerem. É altura de agradecer às famílias dos nossos voluntários que sabem partilhar esta gente linda que tem lá em casa com os nossos beneficiários. 

A família Atlas celebra o Natal como vive o ano inteiro: centrada nos outros.

Vem aí um novo ano, que não se perspectiva fácil, mas que saberemos superar com a leveza e o entusiamo que nos caracteriza. Somos e seremos sempre um porto seguro para quem nos procura. Queremos e estamos a crescer, mas sem perder o melhor que temos, a partilha e a simplicidade. 

Feliz Natal para todos!


Autora
Helena Vasconcelos
Voluntária e Presidente da ATLAS



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 “Sinto que preciso de parar, será que estou a entrar em Burnout?”  

Temos Encontro ao Serão marcado para dia 19 de novembro, às 21h00, em modo presencial, na Delegação da ATLAS na Marinha Grande.

Sente que vive numa constante correria e que a vida lhe está a passar ao lado?

Sente que precisava de “desligar a ficha”, por momentos, para poder recuperar energias? 

Então, junte-se a nós nesta conversa informal, sobre a importância de cuidarmos de nós próprios e de instalarmos microhábitos para evitarmos que a sobrecarga do dia-a-dia domine as nossas vidas.  

Na fase que atravessamos, mais do que nunca, precisamos de recuperar a tranquilidade e de aumentar a nossa realização pessoal e profissional!

Vamos falar de Burnout  com a nossa oradora convidada Catarina Fortunato, Médica Interna de Medicina Geral e Familiar  e Pós-Graduada em  Sexologia e Terapia de Casal. 

Quem quer passar o Serão connosco? 

Dia 19 de novembro de 2021, sexta feira 21h



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Sim, quando eu morrer o leitor ou leitora que me lê e partilha momentos de vida, como o voluntariado no Velhos Amigos, será o meu futuro… e refiro-me ao meu futuro aqui na Terra.

Tenho 67 anos. Há vinte anos, nas raríssimas vezes em que pensava na morte, tinha a certeza que quando chegasse a esta idade e as maleitas começassem a fazer parte do quotidiano, bastaria ir a uma estação de recarregamento de saúde, encostar a mão a um manípulo e em cinco minutos estaria recarregado para mais 67 anos de saúde… quiçá a eternidade!

Há dez anos já sabia que não seria assim. Não haveria recarregamentos até à eternidade, mas, com sorte e empenho de gente sabedora, um prolongamento do tempo de estada na Terra. Mas a vida acabaria. E com essa certeza, vieram a dúvida e as reflexões sobre o sentido da vida. Com a energia, a esperança e a capacidade de sonhar que ainda tinha aos 57 anos, pensei que a morte física seria o menor dos males se comparado com a eternidade cantada por Camões em “…aqueles que por obras valerosas se vão da lei da morte libertando…”. Nesses meus últimos laivos de ingenuidade, pensei que se conseguisse realizar uma “obra valerosa”, quiçá um livro, um dia deixaria fisicamente de existir, mas ficaria um legado que me libertaria da lei da morte.

Hoje, sei que não será assim. Como Camões, roguei inspiração às musas. Acredito que elas terão tentado arduamente inspirar-me, mas, ao contrário de Camões, não tiveram da minha parte a ajuda do engenho e arte. Confesso, aliás, que o meu engenho e arte não se comparará sequer ao de Jau, o mais fiel amigo de Camões, que cuidou do poeta nos últimos e difíceis anos de Camões.

E é assim que hoje, sem manípulos de carregamento de eternidade física, e sem engenho e arte, resta-me ser o Jau da minha vida. Não ficará obra feita, nem um legado que me libertará da lei da morte. Mas ficará a certeza de ter feito o melhor que soube e fui capaz com aqueles que amei e respeitei, família e amigos, pessoas boas que tive, e tenho, a felicidade de conhecer e partilhar a vida na Terra. E com esta certeza fica a esperança de, mesmo depois de ter deixado de existir fisicamente, a recordação que alguém possa ter de mim, traga-lhe um momento de saudade que, por pequena que seja, será o meu futuro depois do tempo que vivi na Terra. Sei que um dia também a família e os amigos deixarão de poder recordar-me. Como será, então, a eternidade em que pensei? Sinceramente, quando a última pessoa que partilhou a vida comigo, ou momentos da vida, abraçou-me e sorriu-me, não puder recordar-me, o que me interessará a eternidade?


Autor
Rui Bingre
Voluntário ATLAS no Projeto Velhos Amigos em Leiria.



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