ATLAS - People Like Us

A ATLAS tem como Missão intervir na comunidade, de modo a criar alavancas de Desenvolvimento Humano Integrado e Sustentável, através da promoção do voluntariado e da cooperação.

No próximo dia 5 de novembro vamos recomeçar o “Chá das Cinco”.

Esta iniciativa, em Coimbra, começou em dezembro de 2015, então com uma parceria com o salão Brasil e com o entusiasmo da Catarina Pires do salão e da Natália Antunes nossa técnica de altura. Inicialmente com a periodicidade de um sábado por mês, levámos os nossos idosos e voluntários a visitar monumentos, museus ou galerias ou então com momentos musicais.  Ouvimos poesia. Terminava sempre com lanche. Passámos pelo museu Machado de Castro, Convento São Francisco, Convento Santa Clara a Velha, Seminário Maior, café galeria Santa Clara, salão Brasil, café Santa Cruz…

Tudo isto foi interrompido em 2020. Por quê recomeçar?

Porque é importante levar os nossos idosos a saírem de suas casas, a quebrar a rotina, a conhecerem outras pessoas. Porque é importante os nossos voluntários se reunirem e verem como pequenas coisas tornam os outros felizes.

No dia 5 vamos revisitar a igreja do Seminário Maior de Coimbra. Ela foi restaurada e está muito bonita. Teremos também um momento musical (e guitarra!).

Não percam esta oportunidade. Apareçam!

Autora:

Raquel Pina

Vice-Presidente da ATLAS. Voluntária nos Velhos Amigos em Coimbra.



POR PESSOAS COMO NÓS, JUNTA-TE À NOSSA CAUSA.



“Em que momento a alimentação começa a definir a nossa longevidade?”

Foi com esta questão que a Professora Cátia Pontes, Professora Adjunta da Escola Superior de Saúde do Politécnico de Leiria e Coordenadora da Licenciatura em Dietética e Nutrição, iniciou o Encontro ao Serão sob o mote “Viver bem até aos cem”. Foi no passado 19 de outubro no Edifício da Resinagem da Marinha Grande, aonde ocorrerem 48 voluntários da Atlas.

Começámos por ser surpreendidos com a importância dos primeiros 1111 dias das nossas vidas, que começam na pré-conceção e vão até ao 2º ano pós-parto. Estes 1111 dias dizem-nos que há uma programação metabólica nesta fase que terá impacto na nossa saúde muitos anos depois. E foi-se falando da alimentação ao longo das diferentes fases do ciclo de vida desde a adolescência, que é um ponto crítico para a prevenção da osteoporose, passando pela menopausa, período em que diminui o metabolismo basal pelo que se deve diminuir a ingestão de alimentos, e chegando até aos centenários. Indagada a plateia com a questão: “O que é que caracteriza os centenários?”, a preletora deu-nos a resposta:

  1. Estilo de vida ativo;
  2. Habilidade natural para combater o stress;
  3. Predisposição genética;
  4. Baixo consumo calórico.

Então não é que os mais longevos comem menos do que precisam? De facto, as comunidades mais longevas do planeta (Península Nicoya – Costa Rica, Okinawa – Japão, Sardenha – Itália, Loma Linda – Califórnia) têm hábitos alimentares comuns, como baixo consumo de proteína animal em detrimento de maior ingesta de frutas, hortícolas, leguminosas e frutos oleaginosos. Além disso, estes longevos centenários têm atividade física diária, sem tabaco, têm uma vida espiritual e uma vida social.

Acabámos a falar da Roda dos Alimentos Mediterrânica, um padrão alimentar que, a ser seguido, nos faz viver mais anos.

Gostei muito deste Encontro ao Serão: da abordagem do tema, da preletora que nos fez estar atentos do princípio ao fim, e dos voluntários da ATLAS que se mostraram atentos e muito participativos no momento final aberto à discussão da plateia.

Lanço aqui o repto aos voluntários e amigos da Atlas da área das Ciências da Nutrição a participarem como preletores de outro Encontro ao Serão ou como articulistas da newsletter da ATLAS, agora que se encontra em discussão pública o Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável 2022-2030.

Trata-se de uma aposta na promoção de uma alimentação saudável e na modificação dos comportamentos individuais, de modo a que nos tornemos ci­dadãos mais capazes de fazer escolhas alimentares saudáveis. Quem agarra os desafios?

Autora:

Irene Primitivo

Membro da Direção da ATLAS. Voluntária nos Velhos Amigos em Leiria



POR PESSOAS COMO NÓS, JUNTA-TE À NOSSA CAUSA.



A alimentação foi um tema central no mês de Outubro (o Dia Mundial da Alimentação ocorreu a 16/10). Muito tem sido feito para sensibilizar as pessoas para uma alimentação saudável. Agora, acresce outro foco de sensibilização: tornar evidente o impacto dos nossos hábitos de consumo alimentar na Ação Climática, na Proteção da Vida na Terra, na Produção Sustentável e na Erradicação da Fome. Estes são objetivos mundiais, definidos pelas Nações Unidas, para serem alcançados até 2030 (num total de 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, https://ods.pt/ ).

Então, de que forma os meus hábitos alimentares podem contribuir para minimizar alterações climáticas? E para a valorização de ecossistemas? E para reduzir a produção de resíduos? 

É incrível que, a nível mundial, quase um terço de toda a alimentação produzida, num ano, não é consumida! Para além da consequência mais direta, que é o desperdício alimentar, há muitas outras implicações:

– desperdício de água (por exemplo, no cultivo de legumes que não serão vendidos, porque estão com folhas partidas ou ruídas);

– energia desaproveitada (por exemplo, na fábrica, ao produzir um iogurte que não será consumido, porque já no nosso frigorífico ficou fora de prazo);

– gases nocivos lançados para a atmosfera (por exemplo, emitidos pelo avião que transporta frutas tropicais que não serão compradas, porque chegam ainda verdes ou maduras demais e, no supermercado, acabam por se estragar);

– resíduos que têm de ser tratados e que consistem “apenas” em comida desperdiçada.

É necessário estarmos conscientes das várias etapas da Cadeia de Abastecimento Alimentar e pensarmos nos recursos usados em cada etapa. Só assim, poderemos, de forma ativa:

  1. Prevenir perdas de alimentos
  2. Dar preferência à compra de alimentos de produção local
  3. Comprar frutas e legumes que possam ter aspeto “feio”
  4. Minimizar o desperdício alimentar:
  5. Colocar no prato a quantidade suficiente (evitar “ter mais olhos que barriga”) e no restaurante pedir a dose que se consegue comer;
  6. Fazer aproveitamento das sobras das refeições;
  7. Comprar quando temos intenção de consumir em vez de “acumular”;
  8. Estar atento aos prazos de validade.

Há uma parte de responsabilidade individual no que acontece “desde o prado ao prato”. Isso é cuidar da Terra, a partir de casa.

Autora:

Sofia Carruço

Psicóloga e Voluntária na Atlas em Leiria.



POR PESSOAS COMO NÓS, JUNTA-TE À NOSSA CAUSA.



Há momentos que valem a pena mesmo quando os resultados não são felizes. E foi isso que aconteceu com o projecto Bairro Feliz do Pingo Doce.

A Atlas esteve envolvida em dois projectos em duas lojas, uma em Pombal e outra em Leiria. Em nenhum dos dois fomos vencedores. Isso pouco interessa porque todo o afinco que a família Atlas mostrou valeu mais do que a vitória. Foi tão bonito ver o empenho de todos os voluntários e nossos amigos, a postura elevada de todos nós perante os nossos adversários. As moedas vieram de todo as cidades onde a Atlas está a trabalhar. Não foram suficientes no final, mas toda esta dinâmica demonstrou que somos capazes de mobilização, de união, de sentido de pertença.

Parabéns ao Pingo Doce pela iniciativa. Parabéns aos vencedores.

Obrigada voluntários. Muito orgulho em pertencer a esta família.

Autora:

Helena Vasconcelos

Presidente da ATLAS. Voluntária nos Velhos Amigos em Leiria.



POR PESSOAS COMO NÓS, JUNTA-TE À NOSSA CAUSA.



Tem 82 anos e está amargurada numa cama de ferro, afundada no meio do colchão, de onde se levanta com o auxílio do filho de 51 anos, que vive e trata dela. Recebe uma reforma de 260 € e o filho, obeso por força de alguma inatividade e da alimentação possível, faz alguns biscates de construção civil,

Casou e enviuvou prematuramente, aos 36 anos, com seis filhos nos braços e à mesa.

Não sabe ler nem escrever porque, aos 14 anos e no tempo da ditadura, já partia pedra para pavimentar a estrada que vai da Cova ao cimo da serra.

Vive, por ironia, no caminho da Cova de Cima, no mesmo casebre de há 50 anos, com sala de jantar, dois minúsculos quartos inabitáveis, o quarto onde dorme o filho, e a cozinha.

É a construção mais despojada e triste da cidade, com paredes de tijolo simples e telha sobre estrutura de madeira com forro de “platex”. Aos 38 graus no exterior correspondem, pelo menos, 42 no interior. No inverno imagina-se o frio e a humidade.

Mas, nesta crueza, pode ser transportada para uma cadeira no fim dos dias da alta primavera e verão, onde fica a sonhar e talvez chorar, com a belíssima tela do Atlântico quase eterno aos pés.

A infância e a adolescência transformaram-na numa lavradeira à hora, de quinta em quinta, de quintal em quintal, um dos quais foi o dos meus pais, onde aparecia logo de manhã, sorridente, com olhos azuis de outro mundo, chapéu de palha e botas de borracha.

Quando a visito, recorda, com saudades, os meus pais, e fica comovida quando a beijo no rosto marcado por inúmeras feridas do carcinoma de pele de que o chapéu não salvou.

Paga 100 euros de renda por ano e acaba de receber uma carta a atualizá-la para 50 por mês, com a velada ameaça de despejo.

A nossa democracia, de quase meio século, é incompatível com este abandono cruel.

                                         Até sempre Dª Rosa.

Autor:

João Nina

João Nina, nasceu em Angola em 1951. Licenciado em Engenharia Eletrotécnica pelo IST/UL em 1975, pós-graduação em Engenharia Humana pela Universidade do Minho.

Professor do ensino secundário, V.N. de Azeitão. Técnico do GAT do Vale do Lima, da CCDRN e da UM. Sócio-gerente da empresa de engenharia Domotec.



POR PESSOAS COMO NÓS, JUNTA-TE À NOSSA CAUSA.



O envelhecimento demográfico é um ganho civilizacional importante e deve ser tratado como tal.

Temos de lutar em conjunto por um futuro melhor para todas as idades A solução, para o idadismo, é mudar as mentalidades e atitudes. Como?  Vou dar alguns exemplos:

  1. A começar nas escolas: andamos a falar há décadas dos malefícios do tabaco, do sexo desprotegido, da importância de ter uma alimentação saudável. Temos: Guias da DGS, programas Nacionais nestas áreas; programas de educação para a cidadania: os ismos como o racismo já estão a ser trabalhados nas escolas há muito tempo. Mas o idadismo não tem sofrido grande contestação social. É mesmo um conceito desconhecido na sociedade. É preciso que nas escolas se ensine a respeitar os idosos.
  2. Cidades para todas as idades:
    • a) Um guia sobre o que devem ter as cidades amigas dos idosos:
    • b) Nas ruas, deverão ser colocados bancos para as pessoas se poderem sentar quando andam a pé e
    • c) Deverá haver casas de banho públicas para enfrentar os obstáculos da idade.
    • d) Os transportes públicos deverão ter todos fácil acesso, com piso rebaixado, degraus baixos e bancos largos e elevados. 
    • e) Calçadas, têm um impacto óbvio na capacidade de locomoção do idoso. 
    • f) Condomínios de idosos geridos pelos próprios.
  3. Soluções de intergeracionalidade: outra das soluções em que se está a apostar pelo mundo é juntar jovens e pessoas mais idosas. Esta solução tem sido um caminho que a ATLAS tem seguido e que ultimamente tem incrementado: com o Projeto dos Velhos Amigos Tecnológicos (treino cognitivo em tablets e com o Projeto, Velhos São Os trapos – ateliers de cocriação de peças artesanais com jovens designers.

Vemos assim que é possível desenvolver uma sociedade para todas as idades, através de:

  • educação para a velhice- Porque esse percurso é feito ao longo da vida.
  • Cidades para todas as idades. espaços públicos seguros, inclusivos, caminháveis,
  • Intergeracionalidade(s) – promoção de contactos entre jovens e pessoas idosas.

É absolutamente necessário tornar explícito que o idadismo é inconstitucional e representa uma afronta a direitos humanos fundamentais, tal como outro tipo de ameaças mais estudadas como o racismo e o sexismo.

Temos de aceitar a velhice de uma forma natural; ela deve ser encarada de forma consciente e construtiva.

Eu, na ATLAS, estou empenhada em combater o idadismo, através do Projeto MEXE-TE.

Fique atenta(o) a próximas newsletters, para saber o que da sua parte pode fazer nestas ações da ATLAS.

Autora:

Irene Primitivo

Voluntária da ATLAS no Projeto Velhos Amigos em Leiria. Membro da Direção



POR PESSOAS COMO NÓS, JUNTA-TE À NOSSA CAUSA.



Chamo-me Gracinda Mateus e sou voluntária da Atlas, para além disto são também catequista.

Poderão questionar o que uma coisa tem a ver com a outra. No meu caso tudo. Enquanto catequista pretendo que os meus catequizados tenham um conhecimento da realidade que os rodeia, para além, claro, de colocarem em prática os ensinamentos de Jesus. E que melhor maneira é que há, que o voluntariado?

Assim, em outubro de 2021 tornei-me voluntária da Atlas, na Marinha Grande, para que os meus catequizandos também possam ser voluntários. Ah, mas assim vai obrigá-los! Não! Nunca obriguei nenhum a fazer voluntariado, porém muitos quiseram e acompanharam-me na distribuição de refeições e na entrega de lembranças no Natal. Fizeram-no só por fazer? Não! Fizeram-no e depois refletimos sobre a realidade que cada um vivenciou… alguns ficaram chocados com as condições (falta de condições) com que alguns idosos vivem, outros gostaram tanto do que fizeram que quiseram continuar a fazer e são agora também eles (neste caso elas) voluntários.

O que podemos retirar destas experiências, de um pequeno grupo de adolescentes/ jovens?

Primeiro, ao contrário daquilo que muitas vezes se diz, os jovens estão despertos para o voluntariado e para a ajuda ao próximo, mas se não forem ajudados a colocar a sua vida ao dispor do outro não o fazem. Muitas vezes há que ser o adulto a dar o primeiro passo e dizer: Eu faço isto, também queres fazer/experimentar? Se não formos nós a dar esse passo, muitas vezes estes adolescentes acabam por ficar no seu cantinho, pois não são incitados a fazer algo diferente.

Como catequista posso dizer que estou muito orgulhosa destes miúdos, pois deram um passo na sua vida importante, não ficaram indiferentes, querem ajudar o próximo, querem fazer a diferença e com eles alguns pais também querem ajudar. Não estamos a mudar o mundo, mas estamos a ajudar jovens a deixar o mundo um pouco melhor!

Autora:

Gracinda Mateus

Professora e catequista.
Resido e trabalho na Marinha Grande, onde sou voluntária nos Velhos Amigos.



POR PESSOAS COMO NÓS, JUNTA-TE À NOSSA CAUSA.



Na tarde de 21 de Setembro, fomos dar um passeio à beira-mar. Foi um momento muito especial para todos nós.

Depois de termos reunido os nossos Velhos Amigos nas carrinhas respetivas, seguimos rumo à Praia Velha. Aí, começou a animação. A voluntária Fátima levou a sua viola, e assim, cantámos e recordámos canções bonitas. Era clara a felicidade nos sorrisos dos nossos amigos.

Conversámos, rimos e dançámos. Naquele lugar, estava presente uma atmosfera de amor, amizade, carinho, companheirismo e alegria.

Chegou então a hora do lanche, e aí degustámos uns pastéis de nata muito bons da Fábrica do Pão. Que maravilha! Depois do lanche, aproveitámos para sentir a leveza da areia nos nossos pés e molhá-los no rio.

No regresso a casa, era notório o contentamento nas caras dos nossos idosos, e também, nas suas palavras de satisfação.

Aproveito para refletir um pouco, com vocês, para quem escrevo, sobre a importância de fazermos o bem a quem é especial e importante na nossa vida. Por vezes, ouve-se dizer “Não somos nada neste mundo”; “A vida são dois dias”. Em certa parte, concordo. Contudo, acredito que pudemos ser muito mais se nos agarrarmos aos bons momentos e às boas pessoas que temos na nossa vida. Podemos não ser nada, comparados com a dimensão do mundo, mas podemos ser tudo na vida das pessoas. E, neste caso em especial, sei que a Atlas desempenha um papel muito especial na vida dos Velhos Amigos.

E pertencendo a esta família bonita, a Atlas, a cada dia que passa me apercebo mais de que: podemos transformar vidas com a nossa luz positiva e natural. Pensem nisso, porque todos nós temos um propósito e uma missão nesta caminhada.

Aproveitemos tudo o que a vida nos dá, fazendo o melhor que sabemos. Sempre com um grande sorriso na cara. E gratidão. Obrigada Atlas.

Abraço solidário,

Autora:

Rafaela Pereira

Voluntária da ATLAS no Projeto Velhos Amigos em Leiria.

Sou a Rafaela, tenho 29 anos e vivo na Marinha Grande, onde sou voluntária dos Velhos Amigos.
Faço parte desta associação há três anos. Lembro-me que, desde o primeiro momento em que a Dora me apresentou a instituição, os seus projetos e o seu propósito, eu fiquei de imediato, cativada e entusiasmada de puder vir a pertencer à mesma.
Considero-me uma pessoa dinâmica, solidária, amiga do seu amigo, que gosta de sorrir e fazer rir os outros, simples e acima de tudo genuína.



POR PESSOAS COMO NÓS, JUNTA-TE À NOSSA CAUSA.



Quantas idades temos? Nós temos diferentes idades.

  1. Idade cronológica: há quanto tempo habitamos a Terra; é a do Cartão de Cidadão.
  2. Idade biológica refere-se à qualidade de saúde; quantos anos parece que temos.
  3. Idade psicológica é a idade mental; é uma idade emocional que tem a ver com o funcionamento cognitivo (memória, aprendizagem).
  4. Idade social está relacionada com o modo como somos catalogados nos papéis sociais – tipicamente estudante, idade ativa e reforma – que têm pouca base fisiológica.

Eu fiz o teste: a minha idade biológica é diferente da minha idade psicológica. Então quando dizemos quantos anos temos, é caso para perguntar: Quantos quer? Quantos dá? A idade cronológica é um rótulo que é mais pesado à medida que os anos avançam. A este rótulo podemos chamar IDADISMO – atitude preconceituosa e discriminatória com base na idade.

Este tipo de discriminação está surpreendentemente difundido. Vivemos numa sociedade grisalha. Somos um país a envelhecer a uma velocidade alarmante, e em vez de considerarmos o envelhecimento como uma conquista civilizacional (que o é) somos TODOS (políticos, famílias, nós cidadãos) levados a pensar e a sentir que o envelhecimento é um problema (para o Estado Social, para as famílias). E não nos preparamos para a velhice. Somos idadistas.

O idadismo existe: na publicidade; nos locais de trabalho: (nos anúncios de emprego); nas escolas e universidades; na televisão e no cinema e na linguagem que utilizamos no dia a dia, por vezes a um nível inconsciente (os mais velhos são logo associados a pessoas dependentes, dementes e doentes). Fazemos com que os mais idosos velhos se sintam acabados, sem pensar duas vezes.

O certo é que somos muitas vezes INDIFERENTES e esta indiferença é gravemente culposa e coletiva. A grande ironia é que este tipo de “ismo”, potencialmente, irá afetar todos e cada um de nós, independentemente da raça, sexo e da religião., sendo, de facto, uma discriminação contra nós próprios deferida no tempo.

Precisamos de Combater o IDADISMO, e isto é também refletir sobre a forma como encaramos o nosso envelhecimento. Temos de mudar o olhar com que vemos a velhice nos outros, mas acima de tudo o nosso próprio processo de envelhecimento. Porque, cada um de nós vai ser o próximo velho.

É disto que vos escreverei em próxima newsletter: Como combater o idadismo.

Autora:

Irene Primitivo

Voluntária da ATLAS no Projeto Velhos Amigos em Leiria. Membro da Direção



POR PESSOAS COMO NÓS, JUNTA-TE À NOSSA CAUSA.



A máquina de costura da minha avó Emília, daquelas antigas (preta, de ferro, com letras douradas) faz parte da mobília da minha casa, contrasta com o papel de parede moderno. Desde a década de 40 que esta máquina trabalhou, nas mãos da minha avó. Depois também a minha mãe a usou e em seguida as minhas tias. Quantas histórias guarda aquela gavetinha das linhas e das tesouras?

Lembro-me, com carinho,

da minha avó costureira, que me ensinou a pregar botões e pedia a minha ajuda para enfiar a linha no buraco da agulha, enquanto trocava os óculos “de ver ao longe” pelos de “ver ao perto”;

da minha avó cozinheira, que punha o arroz branco no prato, em forma de montanha, e no cume, os bocadinhos de bife, já cortados, enquanto o avô perguntava se para ele também seria assim;

da minha avó camponesa, que cavava a terra com a sua enxada e para mim arranjou um sachinho para plantar as minhas batatas;

da minha avó vendedeira, no mercado, que pesava as suas frutas… e eu quantos pesos valia? E logo ela me respondia;

da minha avó lavadeira, a lavar roupa no tanque do pátio, enquanto eu esperava pela hora de tirar a tampa e ver a água a escorrer;

da minha avó criadora de animais, que me pegava ao colo para entrarmos no galinheiro, porque tinha medo de ser bicada pelo galo;

da minha avó companheira de conversa e riso, à noite, enquanto o avô pedia para estarmos em silêncio;

da minha avó reservada, que, quando dormia comigo, vestia a “combinação” só depois da luz apagada;

da minha avó atarefada, mas cuidadora, que sempre que ouvia “Ó avóóóó” respondia “Uuuuuuu”, para eu saber onde a procurar.

No dia 26 de julho celebrou-se o Dia dos Avós. Na minha infância não havia este dia, era nas nossas brincadeiras e afazeres que nos celebrávamos!

No frenesim das nossas vidas são importantes as gerações mais velhas, com alma cheia de experiência de vida e corpo que lhes pede serenidade, podem ser âncoras que nos dão estrutura e confiança para o futuro.

Autora:

Sofia Carruço

Psicóloga e Voluntária na Atlas – People Like Us, em Leiria



POR PESSOAS COMO NÓS, JUNTA-TE À NOSSA CAUSA.